Alceu Valença faz show em festival de SC e comemora sucesso com público jovem: "Eu vivo na embolada do tempo"

16.06.2022 | 12h00 - Atualizada em: 16.06.2022 | 14h09
Mariana de Ávila
Por Mariana de Ávila
Alceu Valença

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Cantor falou à Itapema FM sobre músicas dele que viralizaram, rumos da carreira e turnê internacional.

Atração principal do Festival Saravá, Alceu Valença compartilha o palco neste sábado (18) com Cordel de Fogo Encantado, Ana Frango Elétrico, MC Tha, Rodrigo Alarcon e o radicado em Santa Catarina Jesus Lumma. Para o pernambucano, não é nenhuma novidade levar clássicos do MPB do forró a festivais da cena alternativa: "A média de idade dos meus shows ao ar livre é de 25 anos. Mas a idade pra mim não existe. Eu vivo na embolada do tempo. Do presente, do passado e do futuro, tudo ao mesmo tempo".

A aproximação com a audiência mais jovem reverbera em números. "La belle de jour" e "Girassol" tem mais de 200 milhões de visualizações no Youtube, hits de décadas que voltaram a circular impulsionados pelas redes sociais. "Pelo amor de Deus, mesmo. É estranho. Mas é viral. Viral é uma nova maneira de ouvir música. Recebi vídeos de mais de mil crianças ouvindo belle de jour", conta.

A nova onda que Alceu surfa reflete uma boa fase de muitos artistas brasileiros no país. "Na década de 70, 80, lá por 85, 86, fizeram uma sacanagem com a música brasileira. Tudo que era MPB tiraram pra botar música americana aqui. Quem falou isso foi o pai de Cazuza, chamado João Araújo. E daí eu gravava os discos e eles não tocavam mais. A própria belle de jour foi gravada em 93. Fez sucesso não. A internet democratizou a música", completa Alceu.

O cantor celebra o reconhecimento, para além dos fãs fiéis, e espera que mais músicas sejam "descobertas". "Gravadas tem muitas que não fizeram muito sucesso. 'Estação da Luz', é uma música que poderia ser um sucesso. 'Flor de Tangerina', seria um sucesso. A partir de 85 os discos todinhos não fizeram sucesso, porque nós estávamos sobre as gravadoras anglófonas. Mas agora voltou, e voltou sem precisar de ninguém", diz.

Escute "Flor de Tangerina":

Turnê brasileira e internacional

Para o espetáculo de Florianópolis, estão reservados os clássicos. "No show 'Anunciação' você vai encontrar sucessos, 'La belle de jour', 'Girassol', 'Como Dois Animais', 'Cavalo de Paulo', 'Coração Bobo', 'Táxi Lunar' - música minha, de Geraldo e Zé Ramalho. É um show que a gente vem fazendo num roteiro especifico. Se você for ver um show de teatro, de violão, é um pouco diferente, bem diferente, do que eu vou fazer agora, neste festival", explica.

Após a apresentação catarinense, ele segue em turnê na Europa, com um leque sortido de dez datas em diferentes países. Alceu, inclusive, já está contratado para um show no ano que vem na Inglaterra. "Olha aí o que tá acontecendo. Só de festival de forró, são mais de 30 na Europa. Isso tudo depois da internet. No Japão, tem o pessoal tocando forró no meio da rua. Em Lisboa, eu mesmo já fui homenageado no festival Luso-Baião", conta.

Na pandemia, fez dez shows internacionais e lançou quatro discos, o último com o guitarrista e compositor Paulo Rafael, que faleceu aos 66 anos em agosto do ano passado. "Foram discos intimistas que eu fiz aqui em casa, três deles com músicas inéditas. E fiz o disco com Paulinho Rafael, meu cumpadre, meu irmão, que morreu. Dai a gente fez um disco antes da morte dele. Não tava esperando por isso".

Com a agenda cheia para este ano, gás não falta ao cantor para encarar a estrada. "A idade é muito complicada. Pra mim, que ando, agora acabei de voltar da rua, eu anda 10 mil passos por dia, mas chego a fazer 15 km, 14 km. Então, eu tô com uma saúde muito de um garotão", brinca Alceu, aos 75 anos.

Serviço

Festival Saravá
Sábado, 18 de junho
Das 15h às 3h
Life Club Floripa  - SC-401, 14525, Vargem Pequena
Ingressos em https://festivalsarava.byinti.com/ 
Promoção: Itapema Fm

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