Arnaldo Antunes volta com sonoridade minimalista em "O Real Resiste"

18.02.2020 | 08h40 - Atualizada em: 18.02.2020 | 08h39
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
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"O Real Resiste" foi lançado em todas as plataformas digitais no dia 7 de fevereiro

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O disco é o 18º trabalho solo do músico, e deve chegar aos palcos em abril

O Real Resiste, 18º disco solo de Arnaldo Antunes, foi gravado, assim como o anterior, RSTUVXZ, no sítio-estúdio Canto da Coruja, no interior de São Paulo - entre árvores, banhos de lago, cavalos, cachorros, crianças e galinhas. Arranjado com a mesma formação em todas as suas 10 faixas (Cézar Mendes no violão de nylon; Daniel Jobim no piano; Dadi na guitarra, baixo e okulele; Chico Salem na guitarra e violões de aço e nylon), o álbum apresenta uma sonoridade mais uniforme, tecida apenas com piano e instrumentos de cordas (sem bateria, percussão ou programações).

"O Real Resiste" é o 18º disco solo de Arnaldo AntunesFoto: Divulgação

Gravado com os músicos tocando quase sempre juntos, buscando uma identidade original a partir desses poucos elementos, O Real Resiste se diferencia dos últimos trabalhos de Arnaldo, que variavam entre diferentes gêneros e formações instrumentais ao longo das faixas. A sonoridade de O Real Resiste remete à fase de Arnaldo Antunes que foi mais intimista e concentrada nas canções, e resultou em Qualquer (2006) e na turnê registrada em Ao Vivo no Estúdio (2007).

"Depois de um álbum em que alternava rocks e sambas, com seus pesos rítmicos característicos, tive vontade de me voltar mais para as canções, em um registro sereno, com poucos elementos, mais próximo da maneira como foram compostas ao violão, acentuando as relações entre letra e melodia, saboreando mais as sílabas", diz o artista.

Além da faixa-título, evidentemente política, lançada como single no dia 7 de novembro, o disco também abre espaço para outras temáticas, como o amor (De Outra Galáxia, com Marcia Xavier), a morte (Termo Morte), a questão indígena (Dia de Oca), a relação com os filhos (Na Barriga do Vento, composta com Carlinhos Brown, Pedro Baby, Pretinho da Serrinha e Marcelo Costa, durante a turnê dos Tribalistas), além de uma homenagem a João Gilberto (João), em parceria com Cézar Mendes.

Arnaldo assina a produção musical com Gabriel Leite, com quem já havia trabalhado (como co-produtor) em Disco, Ao Vivo em Lisboa e (como engenheiro de gravação e mixagem) RSTUVXZ. Os arranjos foram criados coletivamente com os músicos, durante as gravações. Em duas faixas ele divide os vocais; com sua mulher, Marcia Xavier, na parceria Luar Arder, e com sua filha Celeste Antunes, em Na Barriga do Vento. Em algumas outras há coros com participação dos músicos, além de Karine Carvalho, Caru Zilber e Ricardo Prado.

O Real Resiste foi lançado em todas as plataformas digitais no dia 7 de fevereiro. Para o show de lançamento, que deve estrear em abril, Arnaldo está preparando uma configuração nova, com a qual nunca havia se apresentado antes. Acompanhado apenas por um músico ao piano, alternando as canções do novo trabalho com outras de várias fases de sua carreira (como Debaixo Dágua, Lua Vermelha, Socorro, Vilarejo, O Seu Olhar, Contato Imediato, entre outras) relidas nessa formação mínima (voz e piano) e com poemas falados, entoados, filtrados por efeitos. O cenário e projeções são de Marcia Xavier.

"Resolvi trazer um pouco do trabalho que apresento em minhas performances de poesia para o show, intercalando canções e poemas; fazendo uma ponte mais explícita entre essas duas frentes de minha produção", afirma Arnaldo.

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