Curta favorito ao Oscar rememora órfãs mortas em incêndio em 2017

07.02.2020 | 17h40
Por Folhapress
órfãs mortas em incêndio

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Cerimônia de premiação acontece neste domingo (09)

No Super Bowl, o diretor Bryan Buckley viu mais um dos seus comerciais se destacar nos minutos mais caros da TV americana. O vídeo, que vendia um carro equipado com sensores para estacionar sozinho, era estrelado pelos astros Chris Evans e John Krasinski. Uma semana depois, neste domingo (9), o mesmo Buckley estará entrando no Dolby Theatre, em Los Angeles, para disputar o Oscar de melhor curta-metragem de ficção. 

Nada de carros tecnológicos ou astros hollywoodianos: "Saria" conta um fragmento da história real de um orfanato na Guatemala onde 41 meninas foram mortas em um incêndio, há três anos. Indicado anteriormente na mesma categoria por "Asad", o cineasta conhecido pelo apelido de rei do Super Bowl conta que seu trabalho nos curtas é uma maneira de retribuir um pouco à sociedade. 

"Não tenho restrições ao dirigir meus filmes. Por causa da minha habilidade de contar histórias e do meu trabalho com comerciais, posso tocar em assuntos que ninguém gosta de tocar", afirma Buckley em entrevista. "Saria", que tem pouco mais de 22 minutos, é uma poderosa dramatização sobre a vida de duas meninas órfãs vivendo sob um cotidiano de abusos no orfanato Virgen de la Asunción, em San José Pinula, na Guatemala. 

Apesar de todas as provações físicas (dormir ao lado de insetos, professores que respondem no tapa quando questionados), Saria (Estefanía Tellez) e Ximena (Gabriela Ramírez) ainda encontram vontade para se preocuparem com o Dia dos Namorados. 

"O filme foi feito para dar voz a essas meninas, para chamar a atenção do mundo sobre essa tragédia ainda não resolvida", afirma Buckley, que recriou o local do incêndio inteiramente na Cidade do México e selecionou crianças do orfanato local Ministerios de Amor para o elenco. "Precisava de autenticidade. Não adiantaria contratar atrizes indicadas ao Oscar. As pessoas precisam dar valor a essas crianças sem voz." 

Buckley, que aprendeu a dirigir não atores filmando comerciais no Brasil desde 2001, desta vez trabalhou três semanas com as meninas escolhidas entre centenas de órfãs no México, ensaiando e analisando o roteiro com uma preparadora de elenco. 

"Saria" foi concebido pela Hungry Man, produtora que tem sócios brasileiros, americanos e ingleses. Premiadíssima por seus comerciais, a empresa abriu uma divisão global, e o curta é seu primeiro projeto --o segundo, uma série sobre exploração religiosa, está em preparação e se passa no Brasil. "Buscamos projetos de impacto social e relevância humanitária, como controle de armas", resume Alex Mehedff, um dos sócios da produtora. 

Apesar de certo favoritismo, o filme terá alguns concorrentes de peso no Oscar. O belga "Une Soeur" parece uma versão menor do longa dinamarquês "Culpa", sobre uma mulher pedindo ajuda a uma policial pelo telefone. "Brotherhood", da Tunísia, fala sobre uma família lidando com a volta do filho depois de lutar com o Estado Islâmico.

Do mesmo país, "Nefta Football Club" é uma trama bem-humorada sobre o tráfico de drogas na fronteira com a Argélia. O segundo representante dos Estados Unidos ao lado de "Saria" é "The Neighbors' Window", emocionante drama sobre um casal com três filhos obcecado pelos vizinhos exibicionistas que moram em frente, até que um acontecimento muda a perspectiva de vida de todos os envolvidos de forma radical.

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