Disney+ exibe alerta de "representações incorretas de pessoas ou culturas" antes dos clássicos do estúdio

21.11.2020 | 14h38
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
Editora
Cena de "Peter Pan" (1953)

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Aviso também deve ser, em breve, incorporado à versão em português da plataforma

O Disney+, plataforma de streaming da Disney que chegou ao Brasil na última terça-feira (17), implementou avisos antes de alguns de seus filmes clássicos que alertam o usuário de que o conteúdo pode conter "representações negativas e/ou tratamento incorreto de pessoas ou culturas." O aviso dura 12 segundos, e não pode ser pulado pelo usuário.

A medida vem sendo encarada como uma espécie de "autocrítica" do estúdio, que nos últimos anos foi bastante questionado a respeito de produções antigas que adotam termos ou representações racistas, xenofóbicas ou estereotipadas: em Peter Pan (1953), por exemplo, os personagens indígenas são chamados de "peles-vermelhas", falam um idioma ininteligível e são vistos como "selvagens".

A mensagem da Disney, em inglês, diz o seguinte: "Esses estereótipos eram errados no passado e são errados hoje em dia. Em vez de eliminarmos esse conteúdo, queremos reconhecer seu impacto prejudicial, aprender com isso e provocar discussões para criarmos juntos um futuro mais inclusivo." Na versão em português, o serviço ainda não apresenta o aviso completo, informando apenas que certos filmes podem "conter aspectos culturais desatualizados."

No catálogo do Disney+ há produções de todas as eras da Disney - algumas chegam a datar da década de 1920, quando o debate a respeito de temas como racismo ou xenofobia era praticamente inexistente.

No site Stories Matter, a Disney explica sua nova conduta a respeito da exibição de seus clássicos, e conta como foram feitas parcerias com movimentos sociais para definir o equilíbrio entre reconhecer preconceitos contidos nessas obras, e exibí-las na íntegra sem "mutilar" o conteúdo. Entre as organizações que participam da consultoria estão a Associação de Críticos de Cinema Afro-Americanos, a Aliança Gay e Lésbica Contra Difamação (GLAAD), e a Associação de Produtores Latinos Independentes, entre outras.

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