Documentário sobre Billie Holiday tem trabalho de colorista brasileira

21.01.2021 | 11h24
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
Editora
A vida e obra de Billie Holiday, uma das mais importantes jazzistas do mundo, serão tema do documentário "Billie"

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"Billie" deve estrear no Brasil ainda neste ano

A vida e obra de Billie Holiday, uma das mais importantes jazzistas do mundo, serão tema do documentário Billie, recém lançado no exterior e com previsão de lançamento no Brasil para 2021. E umas das principais responsáveis pelo registro em cores foi a brasileira Marina Amaral: reconhecida no mundo todo como colorista de fotografias P&B, Marina coloriu, digitalmente, mais de 100 fotos utilizadas no longa, além de ter definido as cores que foram reproduzidas e aplicadas nos vídeos por um estúdio da Índia. Todo o processo demorou cerca de um ano e meio.

Em todo o processo, o mais relevante foi reproduzir a cor da pele de Billie Holiday de maneira corretaGottlieb/Divulgação

Praticamente nenhuma das imagens foi vista em cores anteriormente, incluindo os vídeos. Marina conta que não tinha muita familiaridade com a obra e nem com a história pessoal de Billie Holiday - mas, depois de um encontro com o diretor James Erskine e os produtores em Londres, no final de 2018, isso mudou. "Fiquei muito impactada já nessa primeira reunião, quando eles me contaram detalhes do projeto e da mulher que iriam retratar", diz ela. "Entendi a responsabilidade logo de cara, mas também a importância de apresentar a Billie para um novo público, sob uma perspectiva bastante diferente."

Além de retratar momentos icônicos da vida da cantora, o filme levanta questões que permitem compreender quem de fato foi Billie Holiday, por meio de entrevistas feitas com amigos de infância, parentes, estrelas do jazz, e até os agentes do FBI que a prenderam. "O detalhe que mais me emocionou foi a colorização do vídeo de uma apresentação ao vivo de Strange Fruit, uma música importantíssima do repertório dela", relata Marina. "Fala de racismo, linchamento, e Billie cantava com a alma. Essa apresentação é uma versão muito mais visceral que as versões em áudio que escutei."

Para contextualizar a paleta de roupas, acessórios, cenários e detalhes das fotos e imagens, Marina fez uma grande pesquisa histórica e também muitas escolhas artísticas. Os registros em cores que existem são escassos, e eram poucas as referências que a pudessem guiar. "Levei em consideração a época, os ambientes, e o contexto geral das fotos para definir as cores que usei", ela explica.

Em todo o processo, o mais relevante foi reproduzir a cor da pele de Billie Holiday de maneira correta. "Algumas fotos estavam estouradas pelo flash ou pela má preservação da imagem, o que acabava fazendo com que a pele dela ficasse muito mais clara do que era de fato", diz Marina. "Corrigir esses detalhes técnicos foi imprescindível para que Billie pudesse ser apresentada como a mulher negra - e orgulhosa disso - que ela era."

A mais nova publicação de Marina Amaral, The World Aflame, foi lançada neste ano, mas as ações de divulgação foram interrompidas devido à pandemia. Feito em parceria com Dan Jones, o livro aborda as duas Grandes Guerras Mundiais e outras conflagrações importantes; como as revoluções na Rússia, guerras civis na Irlanda e Espanha, intervenções norte-americanas na América Latina, e guerras coloniais em Marrocos, Etiópia e Palestina.

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