Oito documentários para saber mais sobre Bob Dylan

22.07.2020 | 10h28 - Atualizada em: 29.07.2020 | 09h24
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
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A um ano de completar oito décadas de vida, e em atividade no mundo da música há nada menos que 61 anos, Bob Dylan é uma dessas celebridades que já adquiriu um caráter quase mítico

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Lançados entre 1967 e 2019, estes oito filmes exploram diferentes fases da vida e da música de Dylan

A um ano de completar oito décadas de vida, e em atividade no mundo da música há nada menos que 61 anos, Bob Dylan é uma dessas celebridades que já adquiriu um caráter quase mítico - tanto pela relevância de sua obra e por sua influência em vários segmentos das artes quanto por sua personalidade, suas opiniões e mesmo sua vida pessoal; no caso de Dylan, discreta na maior parte do tempo.

Com Rough and Rowdy Ways, lançado em junho deste ano, o artista tem 38 álbuns na discografia, isso contando apenas os discos de estúdio - e não compilações ao vivo, por exemplo. Ele também é o primeiro artista da história (e, até agora, o único) a já ter recebido o Grammy, o Globo de Ouro, o Oscar, o Pulitzer o Prêmio Nobel.

Por tudo isso, muitos já foram os documentários produzidos com Bob Dylan como personagem principal; a maioria deles focados em períodos específicos da vida do músico, como uma turnê ou o processo de gravação de um álbum. O site Pitchfork publicou uma lista com oito deles; organizados abaixo em ordem de lançamento. Bob Dylan pode ser um artista difícil de definir ou compreender em sua totalidade, mas esses filmes com certeza oferecem visões interessantes:

Don't Look Back (1967)

O cineasta e documentarista norte-americano D.A. Pennebaker - que se tornaria famoso justamente por seus documentários focados em artistas e políticos - acompanhou Bob Dylan em uma turnê pela Inglaterra, com ingressos esgotados em todas as performances. O músico se apresentou em formato solo e acústico: sua "virada" para a guitarra elétrica só aconteceria alguns meses mais tarde. O filme conta com diversas cenas de backstage, inclusive encontros com fãs e imprensa. Don't Look Back começa com a sequência Subterranean Homesick Blues, vídeo considerado um dos melhores "clipes pré-MTV" de todos os tempos.

Eat the Document (1972)

Um ano depois de Don't Look Back, Pennebaker voltou a trabalhar com Bob Dylan, registrando a turnê europeia do artista ao lado do The Hawks (que em breve se transformaria na The Band): o documentário foi gravado em cores e com um estilo mais psicodélico, e ganhou o título Something Is Happening. Dylan, porém, não aprovou a primeira versão - e, trabalhando ao lado do editor Howard Alk, usou as gravações de Pennebaker para criar o filme como queria. Eat the Document já foi classificado como um "anti-documentário", por sua estrtutura pouco paradoxal. O vídeo, infelizmente, é bem difícil de encontrar online.

Hard Rain (1976)

Uma das turnês mais famosas de Bob Dylan, a Rolling Thunder Revue aconteceu em 1975, mas voltou para uma segunda fase no ano seguinte. O clima, porém, já era bem diferente: o músico estava passando pelo fim de um casamento, e seu humor nos bastidores não é dos melhores. Hard Rain foi gravado durante um show em Fort Collins, Colorado, sob chuva - daí o título do filme. Shelter From the Storm, Lay Lady Lay, Idiot Wind e muitas outras são apresentadas enquanto o público vê Dylan e sua banda bem de perto, graças aos closes da câmera do diretor Howard Alk.

Getting to Dylan (1986)

Nos anos 1980, Bob Dylan participou de Corações de Fogo, drama musical com Rupert Everett e Fiona Flanagan que é considerado de qualidade no mínimo... Duvidosa. Mas algo de bom resultou dessa aventura: Getting to Dylan, documentário de cerca de 50 minutos produzido pela BBC que se propõe a ser um retrato do artista naquele momento. Grande parte do filme é composta por uma entrevista conduzida pelo jornalista Christopher Sykes no set de gravação de Corações de Fogo. Dylan se apresenta desafiador, recusando-se a responder certas perguntas, sendo evasivo diante de outras. "Eu atravessei bons e maus momentos", ele afirma em determinado ponto, "então nem os bons nem os maus momentos me enganam."

No Direction Home (2005)

Martin Scorsese é conhecido como um diretor que gosta de filmes longos - e não é diferente com os documentários assinados por ele: No Direction Home tem nada menos que três horas e meia de duração; e é focado no período inicial da carreira de Dylan, indo da infância do cantor e compositor em Minnesota até o início de sua "fase elétrica". Scorsese não conseguiu entrevistar o artista pessoalmente, precisando contar com o empresário de Dylan para isso. Depoimentos de Joan Baez, Suze Rotolo, Pete Seeger e muitos outros complementam o material; que conta também com extensas gravações de performances.

The Other Side of the Mirror (2007)

Em 1963, 1964 e 1965, Bob Dylan se apresentou no Newport Folk Festival, em Rhode Island. O cineasta Murray Lerner apresenta aqui essas três performances, mostrando as diferenças entre cada uma - e como o estilo musical de Dylan foi se transformando de um ano para outro: a consciência social de 1963, com Only a Pawn in Their Game e Blowin' In The Wind; o show alucinógeno de 1964, com Mr. Tambourine Man; e sua primeira apresentação com uma guitarra elétrica em 1965, com canções como Maggie's Farm - o que dividiu os fãs de folk entre os que o acusavam de "trair" o estilo, e os que aclamaram Dylan por inovar dentro do gênero.

Em tempo: Lerner tem também um filme chamado Festival, em que documenta outras performances clássicas do Newport Folk Festival; como as de Mississippi John Hurt, The Staple Singers e Judy Collins.

Trouble No More - A Musical Film (2017)

No final dos anos 1970, Bob Dylan fez da religiosidade uma forte influência musical; lançando três LPs que deixaram boa parte de seus fãs confusos - e meio desapontados. Em 2017, parte dessa decepção foi redimida com o lançamento de Trouble No More 1979-1981, parte da Bootleg Series, que revisita o catálogo do músico. O material incluiu um novo documentário, Trouble No More - A Musical Film, que traz uma série de apresentações quase gospel de Dylan. Em estúdio, o artista faz um dueto com Clyde King, cantando um cover de Abraham, Martin & John, de Dion.

Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story (2019)

Hoje lendária, a turnê Rolling Thunder Revue, realizada no segundo semestre de 1975, foi constantemente acompanhada por câmeras: mais de 90 horas de material foram registradas. O próprio Dylan editou o material nos anos seguintes, lançando um documentário de quatro horas chamado Renaldo & Clara - destruído pela crítica, e classificado por muita gente como "incompreensível".

Nos anos 2010, Martin Scorsese e sua equipe resgataram o material original para uma nova edição; que finalmente saiu em 2019, sob o título Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story. Muitas performances selecionadas para aparecer no filme eram até então inéditas. O longa conta também com pitadas de ficção; como alguns personagens que não existiram na vida real - e o próprio Dylan entra na brincadeira, afirmando que, "quando estão usando uma máscara, as pessoas dizem a verdade." Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story está disponível na Netflix.

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