Em quarentena em Florianópolis, músico e produtor Ilhan Ersahin lança álbum de inéditas - e prepara mais dois

29.05.2020 | 11h07 - Atualizada em: 29.05.2020 | 14h54
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
Editora
O termo "cidadão do mundo" pode ser um clichê, mas é impossível não pensar nele ao conversar com o músico e produtor Ilhan Ersahin

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Descobridor de músicos como Norah Jones, Ersahin estava no Brasil quando a pandemia de coronavírus estourou

O termo "cidadão do mundo" pode ser um clichê, mas é impossível não pensar nele ao conversar com o músico e produtor Ilhan Ersahin. Filho de uma sueca e de um turco, Ersahin nasceu na Suécia, mas mora em Nova York, nos Estados Unidos, há cerca de 30 anos - e também tem uma conexão muito forte com o Brasil, que visita frequentemente.

"Em venho a Floripa todos os anos há uns 25 anos, porque minha esposa é daqui", conta o artista. "E eu realmente amo a cidade! Eu sou um cara da Lagoa agora, adoro esse lugar. Há tantas praias e restaurantes para visitar na cidade, e sempre há lugares novos para descobrir. Eu também passo bastante tempo no Rio de Janeiro e em São Paulo."

Quando diz que é um cara da Lagoa "agora", Ersahin não está brincando: é justamente na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, que o músico está passando a quarentena. De passagem pelo Brasil para participar do Nublu Jazzfest em São Paulo na metade de março, Ersahin foi pego de surpresa pelo crescimento rápido dos casos de coronavírus pelo mundo - e, diante dos sucessivos cancelamentos de voos internacionais, decidiu vir a Floripa e ficar um tempo na cidade antes de retornar a Nova York.

Músico profissional há cerca de 25 anos, Ersahin já tem 24 álbuns gravados - praticamente um por ano. "Eu tenho algumas bandas e projetos diferentes que vou tocando ao mesmo tempo", ele explica. "De alguma forma foi assim que as coisas aconteceram, em vez de eu ter uma só banda ou simplesmente lançar as músicas sob meu próprio nome. Acho que decidi há algum tempo que faria as coisas desse jeito porque cada uma das minhas bandas tem um estilo diferente."

Além disso, o produtor é também proprietário de dois clubes em Nova York, o Nublu (aberto há três anos) e o Nublu Classic (inaugurado em 2002); e está sempre em busca de novos artistas e DJs para fazer performances por lá. "Apresentamos muitas jams e projetos experimentais", narra. "Para mim, o principal propósito de trabalhar com música é fazer música com outras pessoas - meu caminho sempre cruzou com o de muitos outros artistas, de diferentes estilos." Os clubes inclusive deram origem a um selo, o Nublu Records.

Foi em um desses tantos projetos, por exemplo, que a cantora Norah Jones despontou: entre 2000 e 2002, ela foi vocalista da Wax Poetic, um dos grupos de Ersahin; que tem, até agora, cinco registros lançados. "Nos conhecemos assim que ela chegou a Nova York. Nós escrevemos algumas canções juntos; inclusive Angels, que está no nosso primeiro trabalho, e foi a primeira faixa gravada por Norah na carreira."

Ele também já colaborou com artistas brasileiros. "Chico Abreu, um grande baixista, tocou com o Wax Poetic quando fizemos uma turnê em 2006", relata Ersahin. "Otto cantou com a gente também. Emília Carmona, uma grande cantora, gravou uma música para o meu álbum Brasil, do Wax Poetic. Gilberto Gil participou de um disco que eu fiz há alguns anos com um projeto que tenho em Istambul."

"Eu quero me organizar para passar mais tempo em Floripa e trabalhar mais com artistas daqui", planeja. "Há alguns anos eu gravei um trabalho no Rio de Janeiro chamado An Afternoon in Rio: a ideia é basicamente ir para o estúdio com alguns músicos e vocalistas e registrar algumas faixas juntos, na hora. Eu adoraria fazer um outro álbum nesse mesmo estilo, mas aqui em Floripa."

Apesar disso, Ersahin diz que fala "só um pouco" de português: "Eu entendo melhor do que falo. Acho que ultimamente eu tenho sido um pouco preguiçoso em relação a praticar... Sueco é minha primeira língua, inglês é a segunda, e turco é a terceira."

Músico profissional há cerca de 25 anos, Ersahin já tem 24 álbuns gravados - praticamente um por anoFoto: Ilhan Ersahin

Mesmo com o número crescente de casos de coronavírus no Brasil, o artista se mantém tranquilo. "No momento eu estou apenas esperando, e me mantendo saudável, positivo e criativo", diz. "Está uma loucura por todo lado. Estou em contato diário com pessoas em Nova York, Istambul e Estocolmo, e todo mundo parece estar tendo diferentes problemas e dificuldades. A melhor coisa que podemos fazer neste momento é cuidar uns dos outros. Precisamos esperar o pico passar, e cada país está atingindo esse pico em um momento diferente. Temos que permanecer esperançosos. Em algum momento as coisas vão se acalmar."

E de fato Ersahin tem se mantido criativo: ao longo da quarentena em Florianópolis, o produtor lançou um álbum, e está com outros dois engatilhados. "Na última semana eu consegui lançar um disco, chamado Terasta", ele conta. "Eu já tinha esse disco ao vivo gravado, em vídeo também, com um projeto de Istambul; e, quando cheguei a Floripa, decidir lançar. Então fizemos a mixagem, criamos uma capa, e estreamos."

Ao longo da quarentena em Florianópolis, Ilhan Ersahin lançou um álbum, e está com outros dois engatilhadosFoto: Divulgação

"Eu também tenho uma banda com alguns músicos brasileiros chamada Praia Futuro: Dengue, do Nação Zumbi, no baixo; Catatau, do Cidadão Instigado, na guitarra; e Kalil na bateria", revela, sobre outro de seus projetos no momento. "Nós gravamos um álbum no Rio há alguns meses, e agora estamos preparando esse material para divulgação. Em alguns meses eu também vou lançar um trabalho chamado Istambul Sessions, com a minha principal banda de turnê."

Se cuida da saúde mental mantendo-se ocupado, Ilhan Ersahin garante a saúde física com uma ajudinha brasileira: "Estou me alimentando muito bem, e praticando stand up paddle todos os dias", ele relata, sorridente. Vantagens de uma quarentena à beira da Lagoa da Conceição.

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