Entrevista: "Daqui a pouco, meu pai é que vai ser conhecido como 'o pai da Laura Padaratz'!"

03.02.2021 | 09h11
Marina Martini Lopes
Por Marina Martini Lopes
Editora
A cantora e compositora Laura Padaratz

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Mundo Itapema

Cantora e compositora Laura Padaratz estreia na Itapema com o single "Summertime" e fala sobre sua história na música, os planos para o futuro e a associação com o sobrenome famoso

O sobrenome é mais facilmente associado ao mundo do esporte, especialmente do surfe - mas Laura Padaratz conta que, apesar da conexão óbvia (seu pai e tio, Teco e Neco Padaratz, nascidos em Blumenau, são ídolos do surfe brasileiro), cresceu em uma família bastante musical: "Todo mundo sempre gostou muito de ouvir música, tocar música", relata. "Quando era pequena eu tive uma babá que tinha uma voz de anjo: ela cantava muito para a gente, e a voz dela era igual à da Sandy. (risos) Meu pai também sempre teve instrumentos musicais em casa, então eu tinha fácil acesso."

Laura Padaratz canta desde a infânciaPedro Rocha/Divulgação

E foi a música, não o esporte, que desde cedo fez os olhos de Laura brilharem: aos nove anos de idade ela passou a cantar no coral da escola, onde aprendeu as primeiras, ainda simples, técnicas vocais. Com onze anos, ela aprendeu a tocar violão sozinha, em casa, com a ajuda da internet; e aos doze passou a ter aulas de piano, onde começou a estudar teoria musical. A realização de que queria encarar a música como carreira veio quando Laura tinha cerca de quinze anos; época em que fez aulas de canto. "Aí comecei a tocar em bares, restaurantes... Lugares onde eu pudesse tocar, né, porque eu era menor de idade", ela ri.

A composição se desenvolveu paralelamente ao canto. "Eu comecei a compor com uns catorze anos", diz Laura. "Eu escrevia algumas coisas antes disso, mas nunca achava bom, não tinha coragem de mostrar para ninguém. (risos) Nessa época eu escrevi uma música chamada By The Beach, a primeira que eu lancei, que até está no meu Spotify." Aos 17, ela realizou o sonho de fazer um intercâmbio, e se mudou para a Califórnia, nos Estados Unidos, onde acabou passando dois anos e meio. "Tive muitas experiências musicais legais lá", conta a artista. "Tocar na rua, por exemplo, que é uma cultura muito de lá. Fiz parte do coral da escola e da faculdade, conheci outros artistas..."

No final de 2019, Laura voltou ao Brasil, com planos de passar não muito mais que um mês no país. Mas diversas coisas a empuraram na direção da decisão de permanecer: ela terminou com o namorado que tinha na Califórnia e percebeu que não queria continuar o curso na faculdade. Decidida a ficar por aqui e, enfim, se dedicar de vez à música, a cantora e compositora foi pega por mais uma surpresa: o estouro da pandemia de coronavírus. "Eu estava super decidida a tocar; aí de repente os bares fecharam, eu não podia tocar em mais nenhum lugar...", ela relata. "Fiquei tipo 'o que é que eu vou fazer agora?'."

Laura tinha algumas cartas na manga: um par de faixas gravadas com João Victor Alberton, "um amigão meu, super talentoso, que produz as próprias músicas", segundo ela descreve. A artista aproveitou para divulgar as duas canções; mas, mesmo assim, teve momentos em que se sentiu "muito improdutiva, muito inútil. Estar no palco é o que mais me alimenta como artista, e isso me faz muita falta." Mas ela pondera: "Claro que, sendo realista, eu preciso ficar agradecida por ter uma família que me apoia e tem condições financeiras de fazer isso. Com certeza as coisas estão muito mais difíceis para os artistas que dependem da noite para se sustentar."

Foi nesse contexto que surgiu o encontro com a dupla Reis do Nada, de Florianópolis. "Antes de ir morar fora, eu não conhecia o Reis do Nada", diz Laura. "Eu era muito nova, né? Escutava muito mais pop, o que rolava na rádio. Conhecia pouco da cena local. Quando estava na Califórnia é que eu conheci os dois, por meio de amigos em comum, pela internet, mesmo. Quando voltei para o Brasil, a gente resolveu se encontrar no estúdio deles para trocar uma ideia sobre música."

Essa troca de ideias fez os artistas perceberem que tinham muitas influências em comum - e Laura decidiu enviar Summertime, uma música de composição sua, para a dupla. "Mandei um vídeo bem voz e violão, e eles gostaram", ela narra. "Depois de um tempo eles me retornaram com uma demo, e eu achei animal! Achei que ficou muito bom, fiquei realmente feliz com o resultado. Aí falei que a gente tinha que dar um jeito de lançar, já que o verão estava chegando, né? Por sorte nós temos amigos muito talentosos e muito parceiros, que nos ajudaram com o clipe, divulgação, contrato... Deu muito certo." A música é uma das novidades na programação da Itapema.

Em comum com lançamentos anteriores de Laura, Summertime tem o idioma inglês. "Eu já compus em português, mas ainda tenho muita dificuldade", confessa a cantora e compositora. "Acho o português muito mais complexo que o inglês, acho o vocabulário muito maior; sempre me sinto poeticamente meio insatisfeita. É muito difícil compor em um idioma em que você já tem Caetano Veloso, Gilberto Gil... (risos) É um processo; é algo que eu pretendo trabalhar. Mas também não gosto de me forçar; acho que a arte deve rolar mais naturalmente."

Animada com a repercussão da canção, Laura diz que pretende continuar construindo seu caminho na música - mas sem pressa e com cuidado. "Você precisa de muita determinação, esforço e trabalho para ser bem-sucedido na música", opina. "Claro, tem gente que um dia posta um vídeo no YouTube e o negócio viraliza, e no dia seguinte a pessoa está rica (risos), mas não é sempre que isso acontece. O plano é ir aos poucos; fazer um lançamento a cada três, quatro meses. Essa constância é importante. As coisas já vêm acontecendo: eu percebi que as coisas começaram a fluir melhor quando comecei a pensar com calma, sem querer botar a carroça na frente dos bois."

E as frequentes menções ao sobrenome famoso, incomodam? "Eu estou super acostumada com isso. Meu pai é uma figura pública; desde criança eu estou habituada com essa associação", responde Laura, tranquila. "Não me afeta. Até é uma forma de chamar atenção, e, pra mim, quanto mais gente me ouvir, me conhecer, melhor! Mas, realmente, agora que estou conquistando as minhas coisas, eu quero passar a ser conhecida como a cantora Laura Padaratz. Mas sinto que isso vem com o tempo. Daqui a pouco, meu pai é que vai ser 'o pai da Laura Padaratz'! (risos)"

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