Entrevista: Maya Fadeeva conta todos os detalhes de seu novo álbum

25.06.2021 | 17h46 - Atualizada em: 28.06.2021 | 23h35
Leonardo Souza
Por Leonardo Souza
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Giramundo

Em bate-papo exclusivo com a itapema, a cantora e compositora abre o jogo sobre o novo álbum That's My Style.

Maya Fadeeva é parceira da itapema fm desde o lançamento de seu álbum de estreia Chamëleon (2018), gravado com o Club Des Belugas, um dos expoentes do Nujazz alemão. Elegantemente retrô e ao mesmo tempo contemporânea, Maya se encaixa perfeitamente na nova geração pós-Amy Winehouse. Cidadã do mundo, Maya nasceu em São Petersburgo, Rússia, cresceu em Nova York, estudou canto e finalizou o bacharelado em música na Holanda em 2015, e atualmente vive em Cologne, Alemanha. Agora a artista une forças novamente com o Club Des Belugas em seu segundo álbum, That's My Style.

MFD22Imagem: Divulgação

Antes do álbum sair, Maya apresentou aos fãs quatro singles do novo trabalho: a faixa-título That's My Style, primeira música de 2021; Get Get On, canção que ganhou um videoclipe todo produzido por ela; Freakin Out, que segundo a artista é a melhor canção que já escreveu; e a regravação de Straight To My Heart, um dos destaques de Nothing Like The Sun, segundo álbum de estúdio de Sting, lançado em 1987. 

Hoje é o lançamento oficial do novo videoclipe da artista, Green Eyes, que você confere abaixo. Convidei Maya Fadeeva para falar com a itapema sobre o novo álbum e nos contar mais detalhes. Ela gentilmente topou.

- Maya, como foi o processo criativo do álbum em tempos de isolamento social?

"Tenho que admitir que o processo criativo foi um momento mágico, pois todo o estresse do dia a dia, todos os compromissos, todo o trabalho de escritório de repente sumiu e pude me concentrar totalmente no álbum. Fiquei tão inspirada como nunca antes e fui capaz de mergulhar totalmente no trabalho criativo, o que eu realmente gostei." 

"Mas havia também o outro lado para mim como para muitos de nós, porque em dezembro de 2020 perdi meu padrasto por causa do COVID-19. Foi um choque que me paralisou por três meses e precisei de tempo e apoio dos meus amigos e família para superar essa perda. Portanto, nos últimos dois anos, passamos pela montanha-russa mais extrema que já experimentei. E isso, tudo junto, me fez crescer e amadurecer, o que, claro, também influenciou minha música."

- A bem-sucedida parceria com o Club Des Belugas está de volta! Como foi o dia a dia das gravações à distância com seu parceiro Maxim Illion?

"Isso funcionou muito bem! Por exemplo: Ele me enviou a bateria e o baixo da música 'That's My Style' e eu criei uma melodia para a música (enquanto lavava a roupa, a propósito :)) e a enviei de volta para ele. Ele adorou depois de gravar as letras, adicionei um pouco de piano e baixo em casa e Maxim produziu o resto. O trabalho remoto é algo absolutamente ótimo e estou muito feliz que nessas horas tínhamos essa possibilidade, caso contrário, o álbum não teria sido feito. Adicionalmente neste álbum eu produzi muitas canções sozinha e com outros músicos, o que também foi uma experiência incrível que estenderei em meus trabalhos futuros."

- That's My Style é um título muito bom. Você apresenta músicas suas e regravações. Pode comentar sobre algumas faixas?

"Mr. Rain' é uma música da cantora universitária Nelly Koester, que adoro e com a qual me identifico. Então, pedi a ela pra gravar no meu novo álbum."

"'No Inspiration' é minha faixa favorita do álbum. Eu a produzi e a escrevi em um dia em que não tinha (obviamente) nenhuma inspiração. Eu estava deprimida, me sentia sozinha, estava frio e chuvoso lá fora e, em mais ou menos 4 horas, nada me veio em mente enquanto me sentei ao piano e tentei compor uma música. E então, a certa altura, pensei 'por que não apenas descrever o que sinto?' e pronto! Em 30 minutos ela estava pronta! Também foi uma experiência incrível e paradoxal fazer minha canção favorita sem ter nenhuma inspiração."

"Escrevi 'Can’t Thank You Enough' muitos anos atrás, antes mesmo do meu primeiro álbum. Mas tinha pensado que não era boa o suficiente, então não incluí em “Chamëleon”. Mas dois meses atrás eu mostrei para Maxim Illion e ele disse 'esta é a melhor música que você já escreveu!'. Fiquei surpresa, então gravamos no novo álbum e estou muito feliz que as pessoas gostaram!" 

"Porque simplesmente amo Michael Jackson, eu quis gravar algo da discografia dele. 'Man In The Mirror' e 'Rock With You' são as minhas favoritas. Então decidi gravar 'Man In The Mirror', mas você não pode copiar Michael Jackson. Eu realmente queria fazer algo diferente. E acho que minha tentativa foi bem-sucedida." 

"Se eu começar a escrever sobre 'Fuck That', não vou parar até amanhã. Vou tentar ser breve: esta é a música mais íntima do álbum (além da música que fiz para minha mãe). Houve um tempo em que me sentia mal, não tinha energia, estava cheia de medos e ansiedades. Mas a certa altura percebi como é devastador permitir que esses sentimentos controlem minha vida. Foi uma longa jornada com muito trabalho, muitos altos e baixos, muitas realizações, mas um dia eu estava pronta para dizer 'Foda-se, eu não quero ser isso, não quero mentir para mim mesma'. Um dia tive a consciência de que sou preciosa. E sou. Que temos o direito de nos levantar, de ser felizes e de realizar nossos sonhos. Um dia, de repente, tive esse poder dentro de mim para esmagar todas essas crenças limitadoras contra a parede. Foi como uma explosão interna. Então, essa música é uma manifestação daquele momento. É um hino ao amor próprio, respeito próprio, valor próprio e dignidade humana." 

"'Green Eyes' é minha primeira música de amor, na verdade. Nunca tive inspiração para escrever uma música para um homem. Mas desta vez aconteceu. É uma dedicatória ao meu amor, Volker Schubert." 

"'You’ve Got A Friend In Me' é um dueto com Mike Roelofs. Eu simplesmente amo essa música, então decidi gravá-la no novo álbum. Mike é membro da banda, ele é um músico incrível. Um gênio. Estou muito feliz por ele ter aceitado meu pedido para cantar a canção comigo."

"Minha querida mãe tem Alzheimer e é como me despedir em prestações. Muito doloroso, muito triste. A faixa 'Song For My Mom” veio sozinha para mim. Eu simplesmente comecei a ouvir essa melodia em minha cabeça repetidamente. Quando fui ao lago pensando na minha mãe, cantei a melodia e de repente as letras me vieram à mente. Então foi como uma pequena maravilha, o que é muito comum entre os músicos. Essa canção pode ajudar as pessoas que estão lidando com uma situação semelhante. Pode dar-lhes apoio emocional e coragem."

- Agora com dois álbuns incríveis no mercado, quais são os planos para este ou o próximo ano?

"Após o período promocional gravarei alguns novos videoclipes para as músicas do álbum e posteriormente começarei a escrever outras. A vida continua, não importa o que aconteça. Estou muito feliz e grata por haver tantas pessoas maravilhosas por aí em Florianópolis que estão ouvindo minha música e aguardaram o novo álbum. Obrigada! Espero poder fazer alguns shows no Brasil em breve."

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