Fãs já se preparam para ver shows em bolhas e usar armaduras hi-tech

20.07.2020 | 14h33
Por Folhapress
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Mundo Itapema

Depois de meses de políticas rígidas de distanciamento social, diversos países vivem agora a flexibilização dessas medidas - e, por isso, novidades vão surgindo em diversas áreas

O ano de 2020 tem sido esquisito, mas está prestes a ficar ainda mais estranho. É o que diz um tuíte recente da banda irlandesa Two Door Cinema Club. Nele, os músicos anunciam um show na arena Virgin Money Unity, que está sendo construída em Newcastle, na Inglaterra, e é definida por seus criadores como "o primeiro espaço de música socialmente a distância do Reino Unido". Com capacidade para 2.500 visitantes, a arena foi projetada para instalar 500 núcleos de plateia, com dois metros de distância entre cada um.

Supergrass, Craig Charles e Tom Grennan estão na lista de shows confirmados para ocorrer no local, que deve ser inaugurado no próximo mês. Depois de meses de políticas rígidas de distanciamento social, diversos países vivem agora a flexibilização dessas medidas e, por isso, novidades vão surgindo - mais uma vez - com estrondosa rapidez. Primeiro, foi a vez das lives. Isoladas em suas casas, pessoas do mundo inteiro formaram auditórios virtuais e passaram a adaptar alguns de seus antigos hábitos de diversão. Agora, outras alternativas culturais surgem no cotidiano da nova normalidade.

Mas se a ideia de ir a um show com a plateia fragmentada soa estranha, o que pensar sobre a possibilidade de curtir um evento do gênero dentro de uma bolha? Um show recente da banda The Flaming Lips, que virou assunto nas redes sociais, pode exemplificar bem esse questionamento. Durante uma apresentação no programa de TV americano "The Late Show with Stephen Colbert", em junho, músicos e fãs da banda ficaram dentro de bolhas plásticas - tudo projetado para evitar o contágio.

De pequenas baladas a grandes festivais, os eventos de entretenimento não serão mais como antes. E, enquanto a incerteza tempera o futuro, artistas, produtores e amantes de palcos e pistas vão vivenciando novas experiências. No Brasil, a retomada está acontecendo de forma gradual e difere para cada cidade. Em São Paulo, por exemplo, espaços e eventos culturais com público sentado poderão abrir as portas a partir do dia 27 de julho se a cidade permanecer na fase amarela até lá e o prefeito Bruno Covas, do PSDB, permitir.

A liberação de eventos e estabelecimentos do setor cultural paulistano só será permitida, no entanto, quando acompanhada por protocolos, como a capacidade limitada a 40% da ocupação, carga horária de funcionamento reduzida, uso obrigatório de máscara, assentos marcados e o distanciamento de um metro e meio entre os visitantes. "A referência não é mais a casa lotada, é aquele quarto fechado", diz Marco Antônio Tobal Junior, sócio do grupo que comanda casas como o Espaço das Américas e o Villa Country. "Estamos começando finalmente a sair desse quarto para ver pessoas e, apesar do distanciamento, isso já é uma diferença muito grande perto do que vivemos nos últimos tempos."

Segundo ele, tanto o Espaço das Américas quanto o Villa Country estão se preparando para reabrir e, para isso, diversas dinâmicas têm sido estudadas com cautela pelos responsáveis pelos estabelecimentos, que prometem anunciar em breve informações sobre os próximos eventos. Ao saber da arena Virgin Money Unity, Tobal diz que ficou triste e torceu para que não fosse o único caminho disponível para o setor. "Financeiramente não é algo que vai conseguir se sustentar, a conta não fecha", afirma o sócio.

Segundo Leonardo Cortazzo, estudante de biomedicina, a ideia de assistir a um show dentro de uma bolha plástica gigante ou num drive-in não é nem um pouco atraente. "Eu não iria. Mata completamente a experiência do que é um show de música. Não precisamos viver numa sociedade distópica, é totalmente possível aguardar o fim disso tudo", diz ele. "E o que garante que as pessoas no carro estão somente entre família? Isso não é seguro." Na capital paulista, shows em drive-ins estão ocorrendo frequentemente. Trocando os gritos acalorados e as palmas afobadas por sons de buzina, espectadores das apresentações no Allianz Parque podem pagar até R$ 550 pelo ingresso.

"A experiência do show no Brasil é única. Tem aquele calor humano e as longas horas de fila. Tudo isso faz parte da experiência", diz Lucas Amado, estudante de relações públicas, que, assim como Cortazzo, vai a shows e festivais com regularidade. "Mas entendo que o momento é difícil e existem muitas pessoas que dependem dessa renda." Já Camila Pastana, que acampou por meses em filas de show de k-pop, diz que considera os novos tipos de evento muito mais organizados do que os tradicionais e afirma que as propostas são bem interessantes e atraentes.

Além da reinvenção dos palcos, o ato de frequentar espaços lotados, como bares e baladas, também está sendo repensado. Projetada para satisfazer aqueles que amam vida noturna e eventos de entretenimento, a roupa micrashell, recém-criada pela empresa americana Production Club, promete oferecer proteção completa contra o novo coronavírus - e parece ter saído de um filme distópico.

O traje tem conexão a celular, tecido especial e sistema de cigarros eletrônicos. O estilista Isaac Silva comenta que esse tipo de produto é chamado de roupa inteligente e depende de um alto uso de capital e tecnologia. "Provavelmente, será uma roupa bem cara", diz Silva. "Acho que as pessoas não vão querer usar e talvez até prefiram esperar mais tempo para sair de casa", complementa. "Nesse momento, o mais importante é se proteger."

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