Festival de Berlim aposta na política, na polêmica e na ação

21.02.2020 | 08h40 - Atualizada em: 21.02.2020 | 08h52
AFP
Por AFP
Thaia Perez, Agyei Augusto e Mawusi Tulani no filme brasileiro "Todos os Mortos", que concorre ao Urso de Ouro

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Entre as produções brasileiras presentes no evento que começou nesta quinta-feira, está o longa-metragem "Todos os Mortos", selecionado para a mostra principal

Ficção e registros documentais de temas contemporâneos marcam presença na 70ª edição do Festival de Berlim, que começou nesta quinta-feira (20) com 18 filmes na disputa pelo prêmio máximo do evento, o Urso de Ouro, incluindo uma produção brasileira, além de uma nova mostra paralela, dedicada a novas formas de fazer cinema.

As atrizes Sigourney Weaver e Margaret Qualley, filha de Andie MacDowell, serão responsáveis pela abertura de um dos festivais de cinema mais importantes do mundo, ao lado de Cannes e Veneza, com My Salinger Year, uma história sobre a criação literária e a ambição profissional que será exibida fora de competição.

O brasileiro Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, trama de suspense ambientada no fim do século 19, poucos anos após o fim da escravidão, concorre ao Urso de Ouro, ao lado de filmes como Siberia, do veterano Abel Ferrara, e First Cow, da americana Kelly Reichardt.

Outro destaque na mostra principal é The Roads Not Taken, da britânica Sally Potter, na qual Javier Bardem interpreta um deficiente auxiliado pela filha (Elle Fanning).

Outros filmes que desejam suceder Synonymes, vencedor do Urso de Ouro do ano passado, são There Is no Evil, do dissidente iraniano Mohamad Rasoulof, e DAU. Natasha,  polêmico projeto do russo Ilya Khrzhanovskiy, que recriou uma cidade soviética na qual filmou a vida de 400 pessoas, com muita violência e pornografia.

— A maioria das cenas deste projeto são hardcore, não apenas este filme — disse o novo codiretor do festival, Carlo Chatrian, antecipando a controvérsia.

No conjunto, a mostra deste ano observa o mundo atual "sem ilusão, para abrir os nossos olhos", destacou Chatrian.

A premiação será anunciada em 29 de fevereiro pelo júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons e que tem a presença do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho (Bacurau).

A britânica Helen Mirren receberá o Urso Honorário. Uma das homenagens mais emblemáticas da Berlinale, o Prêmio Alfred Bauer, foi cancelado há algumas semanas, após a revelação do passado nazista do primeiro diretor do festival.

O jornal Die Zeit publicou que Bauer, diretor da mostra entre 1951 e 1976, foi um alto funcionário do departamento cinematográfico de propaganda criado por Joseph Goebbels, ministro de Adolf Hiltler, além de ter espionado grandes figuras da indústria do cinema durante o Terceiro Reich.

Os novos diretores da Berlinale, Chatrian e Mariette Rissenbeek, também anunciaram a criação da mostra Encounters, que exibirá obras mais ousadas de cineastas "inovadores".

Fora de competição, a ex-candidata democrata à presidência americana Hillary Clinton é esperada na capital da Alemanha para apresentar a minissérie autobiográfica Hillary. A Pixar exibirá seu novo filme de animação Onward (Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica no Brasil) e a atriz australiana Cate Blanchett a série Stateless.

O Brasil terá ainda uma forte presença na mostra Panorama, com quatro filmes, incluindo o documentário Nardjes, do diretor Karim Aïnouz, premiado ano passado em Cannes por A Vida Invisível. Outro documentário, O reflexo do Lago, de Fernando Segtowick, que mostra a vida de pessoas que moram nas proximidades da hidrelétrica de Tucuruí, também foi selecionado.

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