Filho de Bob Dylan celebra cenário musical da Califórnia em documentário

28.09.2021 | 14h22
Folhapress
Por Folhapress
O filme tem diversas trilhas sonoras

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Echo in the Canyon é dirigido por Andrew Slater

Se depois dos muito breves 82 minutos que duram o documentário Echo in the Canyon você não sair cantarolando uma das músicas da trilha sonora, que é justamente o seu tema, deve haver algo errado. Dirigido por Andrew Slater, o filme celebra o cenário musical da California. 

Seja a divertida "Monday, Monday", do The Mamas and the Papas, ou o hit dos Beach Boys "California Girls"; seja a romântica "It Won't Be Wrong", dos Byrds, na linda versão de Jakob Dylan e Fiona Apple, ou até a ultraelaborada "Expecting to Fly", do Buffalo Springfield, uma das canções gravadas entre 1965 e 1967 por músicos americanos, em sua maioria, mas também canadenses e ingleses vai ressoar em sua memória.

O som do meio da década de 1960, produzido em Laurel Canyon - uma área especialmente montanhosa de Hollywood Hills, em Los Angeles, que concentrava um grande número de músicos- era quase que uma resposta californiana ao pop dos Beatles. O quarteto inglês, formado em 1960, explodiu na Inglaterra em 1963 e foi consagrado mundialmente em 1964. A invasão britânica, liderada por eles, teve, em 9 de fevereiro daquele ano, um marco importante.

Foi nesse dia que 73 milhões de americanos, ou 40% da população do país na época, assistiram a John, Paul, George e Ringo tocarem ao vivo pela primeira vez nos Estados Unidos, no programa de televisão "The Ed Sullivan Show".

Echo in the Canyon fala com músicos que estavam na ativa nos anos 60 como Ringo Starr e Eric Clapton, assim como artistas mais jovens influenciados por eles, como Tom Petty e Jackson Browe. Com artistas mais jovens ainda, como Beck, Cat Power, Regina Spektor e Fiona Apple, Jakob Dylan faz um show em homenagem aos 50 anos do "som californiano", em que apresentam músicas das bandas homenageadas.

As versões de Jakob Dylan e seus amigos são um dos pontos altos do documentário, muito bem produzido e conduzido com leveza, sem perder a emoção. Uma coisa engraçada é notar como Dylan parece não se empolgar tanto com as histórias narradas pelos músicos que ele entrevista, como faz quem está do lado de cá da tela. Talvez, sendo filho de quem é, tenha testemunhado situações muito mais inusitadas na infância e na adolescência, em casa.

Neil Young é uma ausência sentida desde o início do documentário. Mas faz uma aparição mais que especial tocando um solo de guitarra sozinho, num estúdio em que é filmado pela janela, que acompanha os créditos finais. "Echo in the Canyon" narra uma trama incrível a respeito de um período e um lugar especiais na história do pop. Neil Young deixa a guitarra falar por ele.

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