Inspirada em série de tuítes, “Eu, a Vó e a Boi” estreia nesta sexta no Globoplay

29.11.2019 | 17h30
Anna Rios
Por Anna Rios
Vera Holtz e Arlete Salles são as vizinhas Yolanda e Turandot

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Universo Compartilhado

Seriado de Miguel Falabella apresenta briga de vizinhas que ilustra um Brasil dividido

Uma história inusitada contada por Eduardo Hanzo em seu perfil no Twitter, em 2017, deu partida ao projeto materializado em Eu, a Vó e a Boi, nova produção original do Globoplay que estreia nesta sexta-feira (29) na plataforma. O relato ácido sobre a inimizade de duas senhoras, uma delas avó do autor, chegou às mãos de Miguel Falabella, responsável pela redação final da atração.

Com algumas adaptações, o texto de Hanzo foi transportado para 12 episódios ambientados na Tudor Afogado, rua do subúrbio carioca dividida por uma vala. 

O vão ilustra a rixa que opõe duas vizinhas: Turandot (Arlette Salles) e Yolanda (Vera Holtz), a Boi (apelido dado pela rival) — agora ambas são avós do jovem chamado Roblou (Daniel Rangel).

— Hoje temos um país sentido, dividido. O discurso é sempre da truculência. E isso é o que as duas avós fazem nessa história: não argumentam, agem uma contra a outra. São situações engraçadas, mas por trás desse humor as coisas são ditas — conta Falabella.

Viúvas e aposentadas, as duas viram a inimizade ganhar força após seus respectivos filhos, Norma (Danielle Winits) e Montgomery (Marco Luque), trazerem Roblou ao mundo. 

Romance

Uma das principais batalhas delas se dá quando Turandot  tenta tomar da Boi a presidência da associação de moradores. 

As personagens vivem situações que beiram o absurdo:

— São todos alucinados, com relações alucinadas. São fatias de emoção, e os personagens reagem aos estímulos das situações propostas. É como se fosse a toca do coelho da Alice, em que a gente mergulha e vai viver em um universo paralelo — compara.

A vizinhança em que a série se passa também é palco para as tensões entre Turandot e Yolanda. Na Cabello Lanches, o único funcionário, Dimundo (Alexandre Barbalho), sempre tem um comentário inoportuno sobre a vida dos clientes. O neto das protagonistas, Roblou, é o narrador da história e tenta mostrar que o amor pode sobreviver mesmo em um ambiente de grandes diferenças. Ao longo dos episódios, ele se apaixona por Demimur (Valentina Bulc). A garota, no entanto, é bailarina e sonha com uma carreira internacional, o que dificulta o namoro. Além do romance, o seriado se propõe a mostrar a realidade da juventude brasileira, em diálogo do próprio Roblou diretamente com o público.

— São muitos textos falados para a câmera, muita narração em off. O Roblou tem uma troca com os personagens e com o público ao mesmo tempo – conta Rangel, que se destacou em Malhação: Vidas Brasileiras (2018).

Para Silvestrini, Eu, a Vó e a Boi faz uma reflexão crítica do Brasil:

— Nosso protagonista está tentando entrar na vida adulta, apesar de toda a adversidade. O Miguel (Falabella) olhou uma pesquisa que dizia que 75% dos jovens do Brasil não têm esperança no país. 

Por GaúchaZH

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