Músico catarinense vence 1º Festival Brasileiro da Canção de Protesto

06.10.2020 | 16h12 - Atualizada em: 06.10.2020 | 20h14
Por Mayara Vieira
Canção "Ladrilho do Forte", de Vítor Vital, foi a escolhida entre 200 concorrentes de todo o país

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Canção "Ladrilho do Forte", de Vítor Vital, foi a escolhida entre 200 concorrentes de todo o país

Música não é feita só de amores e suas desilusões. Música também pode ser uma ferramenta de protesto. Nesse caso, a fonte de inspiração não é o término de um relacionamento, nem uma nova paixão, o que inspira artistas a escreverem canções de protesto é a indignação, a inconformidade.

Para muitos, o momento atual tem sido estimulante, não à toa motivou até um festival nacional. No último final de semana, foi realizado pela internet o 1º Festival da Canção de Protesto do país. O vencedor foi o músico e compositor catarinense Vítor Vital, 24 anos. Com a canção Ladrilho do Forte, o protesto de Vítor é contra o preconceito, a favor da igualdade.

Um trecho da música vencedora diz assim: "...Mas se te incomoda tudo isso ou aquilo que você não é, é porque já nascestes calçando o mesmo sapato no pé. E se te incomoda aquilo que represento e sou, assim contestando vou seguindo a vida de um bom professor." A música está disponível no canal do festival.

Ladrilho do Forte foi composta por Vítor em 2018 e integra um conjunto de 11 canções próprias que falam de sexualidade, masculinidade, liberdade e equidade social. "Escolhi o título Ladrilho do Forte porque gosto da ambiguidade poética que traz a palavra ladrilho. Penso nela em dois sentidos. Como um ladrar, um grito, um latido e como ladrilho da construção de uma parede, como metáfora à construção de uma pessoa", explica Vítor, que agora aguarda a pandemia passar para receber o prêmio: uma apresentação no Bar Opinião, tradicional casa de shows em Porto Alegre.

Aqui em Santa Catarina, Vítor tem a esperança de ver mais espaço e reconhecimento. "É uma grande honra. Sinto que a música autoral catarinense de protesto, particularmente de musicistas que trabalham no formato canção, tem pouca visibilidade nacionalmente. E para mim, o pior de tudo, é a pouca visibilidade que tem dentro de nosso próprio Estado", lamenta.

O objetivo do Festival da Canção de Protesto é promover trabalhos e artistas cujas obras tratem de direitos humanos, de igualdade e de liberdade. Foram recebidas cerca de 200 inscrições de todas as regiões do país. Dez foram selecionadas por um júri especializado e foram apresentadas no YouTube no último sábado. A canção vencedora foi escolhida por voto popular.

"O Festival de Protesto veio para dizer alguma coisa, e a gente vê que o Brasil tem muito a dizer", comentou o jurado Thiago Suman na abertura do evento. O Festival da Canção de Protesto foi o primeiro no país, mas não é algo inédito. Nos primeiros anos da ditadura militar, entre 1965 e 1968, os festivais de música popular brasileira eram espaços que compositores e artistas como Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré usavam para se apresentar e protestar contra o regime através da música. Algumas mais veladas, como A Banda, de Chico Buarque; e outras com críticas diretas, como Para Não Dizer Que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré.

Aliás, a canção de Vítor, composta mais de 40 anos depois, passa a mesma mensagem da famosa canção de 1968: "somos todos iguais, braços dados ou não".

Quem quiser conhecer mais da música autoral catarinense pode acessar o portal rifferama.com.

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