Novo disco de Moby une energia de pista de dança e faixas introspectivas

18.05.2020 | 16h20 - Atualizada em: 01.06.2020 | 09h14
Por Folhapress
Moby

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Lounge Itapema

O DJ, compositor e produtor acaba de lançar "All Visible Objects", seu 17º trabalho de estúdio

DJ, compositor e produtor Moby lançou seu 17º álbum de estúdio na sexta passada (15) e dividiu a crítica. "All Visible Objetcs", no entanto, vai agradar a seus fãs. Tem a energia e vitalidade de quem curte Moby na pista de dança, mas apresenta também uma série de faixas mais introspectivas que recordam "18", seu grande disco de 2002.

Moby chamou a atenção pela primeira vez ainda em 1991, quando lançou o single "Go", elevado a hit obrigatório das raves naquela primeira metade dos anos 1990. Mas foi levado a sério principalmente após 1999, com o álbum "Play", que vendeu 12 milhões de cópias e é, até hoje, um favorito entre os amantes de música eletrônica de todo o mundo. "All Visible Objects" bebe muito daí, o que fez alguns críticos reclamarem de auto-indulgência e nostalgia. Mas a força de canções como "Morningside", "My Only Love" ou "Power Is Taken" paira acima desses problemas.

Essa última, aliás, parece ter colocado Moby em rota de colisão com a política dos tempos de Trump (Moby é americano, de Nova York): "We who hate oppression/ Must fight against the oppressors/ Power is not shared/ Power is taken", ele canta (nós que odiamos a opressão/ devemos lutar contra a opressão/ o poder não é dado/ o poder é tomado). "Rise Up in Love" é um exemplo das canções mais contemplativas do novo álbum. Delicada e com vocais femininos, não chega ao status de obra-prima alcançado há 18 anos com "We Are All Made of Stars" ou "One of These Mornings", mas tem o mesmo DNA.

Vegano há quase 33 anos, após adotar um gato numa lixeira, e ativista ferrenho dos direitos dos animais, Moby informa que qualquer lucro proveniente deste disco será encaminhado para um grupo de ONGs ecológicas e sociais. É uma atitude comum para ele, que há cinco anos em um restaurante em Los Angeles, The Little Pine (vegano, é claro), cujos rendimentos também vão para instituições que zelam pelos bichos. Moby tem tatuado "vegan for life" (vegano a vida toda) em seu pescoço, "animal rights" (direito dos animais) em um braço e também um pequeno "VX" ao lado de seu olho direito, significando V para vegano e X como o símbolo dos straight edge, grupo que prega a sobriedade de drogas e álcool, entre outas coisas.

Como se vê, Moby é um cara tão bem colocado no mundo politicamente correto que a polêmica na qual se envolveu há um ano não foi suficiente para cancelá-lo. Em seu segundo livro de memórias, ele escreveu que namorou a atriz Natalie Portman quando ela tinha 20 anos, e ele 33, descrevendo beijos sob carvalhos centenários e abraços na cama no dormitório dela na Universidade de Harvard. Portman se ofendeu e disse para uma revista que jamais havia namorado Moby, afirmou que tinha 18, não 20 anos, e que se lembrava de Moby apenas como um cara muito mais velho sendo esquisito ou sinistro (creepy) com ela. Moby manteve a história do namoro, respondendo a ela pelo Instagram. Alguns dias depois, pediu desculpas por não ter pedido autorização dela para incluí-la no livro, mas não voltou atrás.

Antes disso, há quatro anos, em uma entrevista ao Guardian, ele reclamou por não ser gay. "Fiquei desapontado por ser heterossexual", resignou-se. Como não amar um cara desses?

*por Ivan Finotti

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