O sucesso de "The Handmaid's Tale" e a espera pela 4ª temporada

14.05.2020 | 08h55 - Atualizada em: 14.05.2020 | 10h33
Leonardo Souza
Por Leonardo Souza
THT01 Imagem Divulgação

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A quarta temporada de The Handmaid's Tale estava prevista para chegar ao serviço de streaming americano Hulu no segundo semestre de 2020, já que as temporadas anteriores foram ao ar nessa época, mas esta previsão foi antes do COVID-19.

A surpresa que a série The Handmaid’s Tale causou no público foi tão grande quanto o impacto que provoca em quem a assiste. Desde sua estreia na plataforma Hulu, como uma adaptação, a série se tornou uma referência cultural popular. 

Contextualizando, "The Handmaid's Tale" é baseada no romance de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood, ambientada em uma distópica América de um futuro próximo, onde as mulheres são escravizadas como "criadas" devido à queda das taxas de natalidade, forçadas a ter filhos obrigadas pela classe dominante de um novo regime autoritário. A religião é ponto central. Quem discorda do regime ou tem algum tipo de resistência é enforcado em praça pública. Mulheres que desafiam são apedrejadas. Nada escapa ao "Olho", o órgão de vigilância do sistema.

THT02Imagem: Divulgação

A série chamou a atenção da crítica e do público desde o lançamento, em 2017. Vencedora de 11 Prêmios Emmy, incluindo o de Melhor Série Dramática (2017), e 2 Globos de Ouro, a produção tem três temporadas disponíveis na Amazon Prime Video, no Sky Play e no Now. Já na GloboPlay, só estão disponíveis as duas primeiras.

Os produtores tiveram o cuidado de mudar alguns detalhes para trazer a história para o presente, incluindo detalhes como Uber, Tinder, cappuccinos e o site Craiglist nas lembranças de Offred de sua vida antes de se tornar uma Aia. Mas a série passou uma sensação mais assustadora por causa da enorme mudança no rumo da política americana com a eleição de Donald Trump, que entrou no cargo apenas três meses antes da estreia. De repente, os pontos críticos do livro e da série pareceram mais possíveis do que nunca: um governo declarando uma lei marcial após um ataque de extremistas islâmicos, um regime que sistematicamente elimina pessoas homossexuais, uma sociedade que prioriza a procriação (e subjugação das mulheres) sobre qualquer outra coisa.

Desde o início, os episódios são narrados sob o ponto de vista da protagonista, interpretada por Elisabeth Moss, que de forma discreta aproveita brilhantemente o texto e completa as cenas. Os diálogos mostram que os roteiristas partiram do princípio de que era necessário respeitar não só a obra da autora, mas também o espectador. Se a transposição de um livro exige adaptações na narrativa, The Handmaid’s Tale encontrou um ponto de equilíbrio em que é possível ler o livro na tela. A fotografia acompanha o trabalho cuidadoso do roteiro. Alternando tons quentes e frios, ela se caracteriza por certa palidez, mas que consegue diferenciar bem o momento atual e os flashbacks. O vermelho do figurino das Aias é um ponto de referência forte e marcante, que se destaca e complementa todo o contexto.

Depois do sucesso absoluto das três temporadas, The Handmaid's Tale caminhava para a sua tão aguardada quarta temporada. Porém as filmagens duraram pouco mais de uma semana. No dia 15 de março foi anunciada a paralisação das gravações por tempo indeterminado por causa da pandemia de coronavírus. Com pouco material filmado, é improvável que a quarta temporada estreie no prazo inicialmente previsto, entre setembro e dezembro. Não há nada oficialmente confirmado, mas como as gravações durariam em torno de cinco meses - de 2 de março a 24 de julho de 2020 - e não há como saber exatamente quando será seguro o retorno das filmagens, a estreia da nova temporada deve ficar para o próximo ano.

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