Pensando Sobre Games: você comprou isso para ter ou para jogar?

22.04.2021 | 08h20
Joana Caldas
Por Joana Caldas
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A fábrica do "você precisa ter isso" nos videogames

Já falamos aqui sobre o preço altíssimo de alguns jogos antigos. Além de dificultar o acesso a esses títulos, caso eles não tenham sido lançados também em plataformas mais modernas, esse bizarro mercado retrô também tem outra consequência: a dos games, acessórios e consoles que alimentam coleções.

Outro dia estava vendo o vídeo de um cara falando sobre controles para Switch que não eram fabricados pela Nintendo. Ele estava elogiando muito um deles, que tinha um design bom para jogos em 2D. E disse que era o joystick que ele usava para games retrô, já que ele tinha comprado o controle oficial do Super Nintendo para Switch, mas que nunca ia tirá-lo da caixa. Oi?

Qual é a graça de comprar algo para deixá-lo fechado numa caixa?Nintendo/Divulgação

Não vou aqui fingir que nunca fui colecionadora, ou que não gosto de ir atrás de algumas coisas, como títulos de Gamecube, que eu mencionei semana passada. Mas ter um game ou acessório para deixar na caixa, desculpe, acho insensato. No caso do controle oficial do Super Nintendo para Switch, trata-se de uma edição limitada, que só os assinantes do serviço Nintendo Switch Online podiam comprar. Então, o que o cara fez foi tirar a oportunidade de alguém que realmente queria jogar com o joystick, em vez de apenas deixá-lo dentro de uma caixa numa prateleira.

Mas a indústria de videogames, assim como muitas outras, aproveita-se desse instinto de colecionador que alguns jogadores têm para fabricar essas edições limitadas. E sabe do que mais? Geralmente funciona. Existem empresas por aí que só fazem isso: pegam um jogo que só foi lançado digitalmente e vendem uma tiragem que vem numa caixa, com disco ou cartucho (no caso do Switch). Só que depois que o que foi feito acaba, tudo fica num preço absurdo nos sites que vendem produtos usados.

A fabricação de edições limitadas não é só física. Há muitos produtos que são virtuais e, mesmo assim, algumas pessoas se desdobram para conseguir aquilo. Algo que eu acho surreal são as cartas da loja digital Steam, no PC. Você as recebe jogando, de graça. Geralmente, elas têm figuras dos personagens do game. Você pode vendê-las no mercado virtual da loja. E as pessoas compram! Eu já vendi várias, apesar de achar um pouco conflitante isso. Por que os jogadores pagariam por algo que eu consegui de graça?

Algo que eu acho surreal são as cartas da loja digital Steam, no PCSteam/Reprodução

Eu tentei encontrar as respostas, fui no perfil das pessoas que compraram as minhas cartas, mas ainda não entendo. Creio que elas façam uma coleção, cheia de objetos virtuais, que na realidade nem existem. São coisas que os compradores não podem sequer segurar na mão.

Eu já gostei mais de ter. As promoções das lojas estimulam isso. Veja este jogo, está tão barato!!! Você não vai comprar?!?!!? No tempo do Wii U, havia uma representante da Nintendo no Brasil, e os discos eram vendidos no país mais baratos. Eu comprei vários, via um por um preço legal, já adquiria. Porém, fiquei com uns 16 títulos e tinha jogado uns três. Eu vendi metade da minha coleção e fiquei com oito games, e joguei todos.

Não vejo mais beleza em comprar só para ter. O que eu tenho, eu adquiro pensando que irei jogar em breve. E se não sei quando vou jogar, não compro. Pode ser que nunca ache tempo para aquilo, ou que eu não queria realmente, só estava barato. Já houve vezes em que olhei para a minha prateleira com ansiedade. Poxa, tenho tudo isso e joguei metade! Acho que não vale a pena. Eu diria que uma coleção de aventuras bem vividas é melhor do que uma prateleira cheia de edições limitadas.

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