"Pensaram que iam calar a nossa força", diz Milton Nascimento sobre atos antirracistas

29.06.2020 | 13h56
Por Folhapress
Milton Nascimento

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Mundo Itapema

Neste domingo (28), Milton fez sua primeira live musical

Afastado dos palcos por causa da pandemia do novo coronavírus, Milton Nascimento, faz sua primeira live musical neste domingo (28), em seu canal no YouTube. Em entrevista ao F5, ele falou sobre o show, disse que tem acompanhado os movimentos antirracistas e fez críticas ao governo Bolsonaro. "Esse governo tem escancarado com maior naturalidade um desprezo absoluto pela arte, pela ciência e, principalmente, pela história do Brasil."

O maestro Wilson Lopes (cordas) e o pianista Christiano Caldas participaram da live. O repertório contou com sucessos, como "Travessia", "Maria, Maria", "Coração de Estudante" e "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor". A lista de canções foi elaborada com a ajuda dos fãs, que indicaram as músicas na fanpage do cantor no Facebook. "Decidimos fazer um show inteiro somente com pedidos de fãs. Vai ser uma apresentação com todos os grandes sucessos, mas, pode ser que a gente faça alguma surpresa também", disse o cantor, carinhosamente conhecido por Bituca, antes da live.

Carioca de nascença, mas mineiro de coração, Milton Nascimento passa a quarentena na casa do filho, Augusto, em Juiz de Fora (MG), local onde será realizada a live deste domingo. No isolamento, além da música, o cantor de 77 anos se entretêm de diversas formas. "Meu tempo está dividido entre o violão, TV, filmes e, de vez em quando, pego um livro e vou para varanda." Logo que se mudou para a casa do filho, o músico ganhou um celular de presente. Desde então, ele se tornou mais presente nas redes sociais. "Agora eu mesmo posso ver o que pessoal manda para mim nas minhas redes, e eu gosto muito de saber o que eles estão pensando. Nesta quarentena, faço muitas ligações de vídeo para os meus amigos e recebo deles, e assim vai."

Apesar de recluso, Milton Nascimento tem acompanhado a repercussão dos protestos antirracistas no mundo e no Brasil. "Pensaram que iam calar a nossa força, mas, não, estavam todos enganados. O mais importante agora é a gente se organizar para que essa união só cresça cada vez mais. Hoje no Brasil o racismo vive um panorama absurdo. É uma tragédia atrás da outra", diz o cantor, que completa a fala com críticas ao atual governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

"Esse governo tem escancarado com maior naturalidade um desprezo absoluto pela arte, pela ciência e, principalmente, pela história do Brasil. E, se não bastasse tudo que vivemos em meio a esse terror causado pela pandemia, sequer temos um ministro da saúde", diz. "Para piorar ainda mais temos o ministro do meio ambiente [Ricardo Salles], que quer aproveitar que a imprensa 'só fala da Covid-19 para passar a boiada e mudar o regramento' de leis que protegem nossas reservas indígenas e naturais. Vivemos o caos, infelizmente", lamenta.

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