Sonic demorou para ganhar versão no cinema, mas valeu a pena

14.02.2020 | 10h30 - Atualizada em: 14.02.2020 | 11h27
Anna Rios
Por Anna Rios
Sonic um ouriço azul superveloz

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"Sonic: O Filme" chega aos cinemas quase 30 anos depois do sucesso dos primeiros games

Demorou muito. Sonic é um game de sucesso desde 1991. O ouriço azul superveloz ficou para trás na corrida de adaptações de jogos de computador para o cinema. Muitos outros personagens chegaram antes dele. Mas até que valeu a pena a espera.

Sonic: O Filme é movimentado, bem divertido e praticamente irresistível para quem está trintão ou quase quarentão. Na exibição do filme para jornalistas, antes da estreia nos cinemas, a plateia aplaudiu no final. Uma inegável volta à infância.

Sabendo que têm nas mãos um produto muito conhecido por um grande público potencial, os realizadores não perderam tempo com muitas explicações. Bastam umas duas ou três cenas para a trama ser delineada, sem dar muita bola para o passado extraterrestre de Sonic. Afinal, quem precisa de muitos detalhes sobre a origem de um bicho nascido em pixels?

Em poucos minutos, o espectador já fica sabendo que Sonic veio para a Terra e vive escondido numa cidadezinha americana. Mora numa caverna, próxima à casa do jovem xerife boa-praça do local, Tom Wachowski. Sonic se considera praticamente da família, assistindo a filmes na TV com Tom e sua mulher, mas faz isso escondido junto à janela, sem deixar que os humanos o vejam.

Quando um cientista malvado e malucão descobre a presença de uma força estupenda em algum lugar da cidade, Sonic acaba revelando sua presença para Tom. Meio sem querer, o policial vai ajudar o alienígena azul a fugir do Dr. Robotnik, disposto a dissecar Sonic para entender de onde vem o poder que dá ao ouriço sua supervelocidade.

Se o game é uma corrida sem fim, com o jogador guiando Sonic por cenários diferentes em busca de anéis dourados que dão a ele mais poder, o roteiro do filme acerta em manter essa premissa de pega-pega. E ganha pontos ao incluir algumas cenas bem sacadas no meio da correria. Como a divertida sequência em que Sonic e Tom entram numa festa de motoqueiros num bar de estrada. O ouriço azul aproveita para conhecer prazeres terrestres que nunca tinha experimentado antes, como jogar dardos, subir num touro mecânico e promover uma briga de quebrar o bar inteiro.

O herói azul é fofo. Quem assistir ao filme na versão com legendas vai ouvir a voz de Ben Schwartz, da série humorística Parks and Recreation. Ele ajuda bastante a criação de um Sonic que tem alguma coisa do Pernalonga em seu jeito de ser. Aquele tipo que sempre se dá bem, sem tempo ruim, com ar adolescente. James Marsden, o Ciclope dos filmes dos X-Men, não precisa de muito esforço para compor um simpático Tom. Ele se dá bem num tipo de trabalho que nem sempre é fácil para o ator, contracenando o tempo todo com um personagem que só entrará na cena muito depois, na pós-produção de computação gráfica.

Mas quem atrai atenções, para o bem e para o mal, é Jim Carrey como Dr. Robotnik. Como sempre faz em sua longa galeria de homens maus em filmes infantis, Carrey atua em overdose. Sua personificação do vilão é tão intensa que cansa o espectador. Descontrolado nos clichês, acaba parecendo mais irreal do que seu oponente azul. Carrey deve ter seu público fiel, mas para a maioria da plateia seu estilo excessivo talvez necessite de algum freio. O diretor novato Jeff Fowler não cumpre essa missão.

Claro que Sonic diverte, mas fica a dúvida se aqueles sem afinidade com o jogo poderão curtir o filme de forma tão plena. Talvez uma dose extra de criatividade no roteiro pudesse dar ao espectador mais do que o jogo de gato e rato entre Robotnik e Sonic. A solução para o embate é um tanto infantil, simplória. Faltou alguma boa ideia para encantar mais pessoas do que simplesmente os viciados no game.

Vale um aviso: uma pequena cena entre os créditos finais já sinaliza de forma explícita que o segundo filme de Sonic chegará logo às telas. Os gamers urram nas poltronas do cinema.

 

*por Thales de Menezes

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