Retrospectiva da década: entre o fim de "Lost" e o de "Game of Thrones", o que marcou o universo dos seriados

27.12.2019 | 19h10 - Atualizada em: 02.01.2020 | 10h17
Por Anna Rios
Lost, Game of Thrones

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Fizemos uma seleção dos acontecimentos que se destacaram das séries exibidas na TV e nas plataformas de streaming entre 2010 e 2019

Entre o fim de Lost e o de Game of Thrones, diversas séries começaram e terminaram. A Netflix se expandiu pelo mundo e aumentou sua produção própria. Os super-heróis da Marvel e da DC Comics também ganharam mais espaço nas telinhas. Por outro lado, Grey's Anatomy bateu recorde e os seriados de comédia se reinventaram. Confira esses e outros fatos que marcaram o mundo das séries na década que termina no dia 31 de dezembro:

2010

O fim de "Lost"

Foto: Divulgação

Milhões de pessoas sentaram em frente à TV na noite do dia 23 de maio para acompanhar o último episódio de Lost. A expectativa era de que o final da produção do canal norte-americano ABC fosse responder a todas as dúvidas dos fãs, mas não foi bem assim: as perguntas sobre o acidente de avião, seus passageiros e a ilha misteriosa que deu cenário para a série só aumentaram. O término de Lost foi um dos que mais dividiram as opiniões do público no início da década de 2010.

Zumbis viram tema de série

Foto: Divulgação

Baseado na história em quadrinhos escrita por Robert Kirkman, The Walking Dead levou para a televisão um mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis e a luta pela sobrevivência dos humanos que ainda restaram. A temática fez sucesso entre o público, transformando a série em uma das mais populares em 2010. Porém, o seriado, que segue firme e forte no ar, foi perdendo sua popularidade ao longo dos anos.

2011

A estreia de "Game of Thrones"

Foto: Divulgação

Game of Thrones começou com a proposta de contar a história do reino fictício de Westeros para além dos livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. A série da HBO estreou já chamando a atenção do público pela grandeza de sua produção, com cenários deslumbrantes, tramas políticas e a arrepiante música de abertura. A partir do final da primeira temporada, os fãs entenderam que praticar o desapego seria essencial para acompanhar GoT, por conta das mortes inesperadas de personagens que, até então, seriam importantes para a trama, como foi a de Ned Stark (Sean Bean).

2012

A despedida do médico mais amado e odiado

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Dr. House, uma das séries médicas mais importantes da televisão, chegou ao fim em 2012 após oito temporadas. Protagonizado por Hugh Laurie, o seriado acompanhou a rotina da equipe do nada simpático, mas brilhante doutor Gregory House. Os fãs se envolveram com a série que, a cada episódio, mostrou a luta dos médicos para tratar doenças, até então, raras e de difícil diagnóstico.

HQs da DC na TV

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A história do Arqueiro-Verde passou a ser contada em Arrow em 2012, iniciando a parceria da DC Comics com o canal norte-americano CW (Warner, no Brasil). Com isso, diversas histórias em quadrinhos do universo da DC começaram a ser adaptadas para a televisão, como Flash e Supergirl.

2013

"Breaking Bad" chega ao fim

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Acostumado com séries longas, o público não entendeu o porquê do fim de Breaking Bad em 2013, na quinta temporada. O premiado seriado da AMC inaugurou na televisão um formato de produção mais curto do que era adotado em outras séries. Breaking Bad marcou época ao mostrar a história do professor de química com câncer terminal que, junto com um ex-aluno,  passa a fabricar metanfetamina para garantir o sustento de sua família quando morrer.

Primeiras produções da Netflix

Foto: Divulgação

A Netflix começou a ganhar espaço - e assinantes - em 2012 com as estreias de suas produções originais: em fevereiro, o seriado político House of Cards e, em julho, Orange Is The New Black, série baseada em uma história real ambientada em uma prisão feminina nos Estados Unidos. As duas produções abriram as portas para a consolidação do streaming na década.

2015

O fim de "Mad Men"

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Mad Men não foi grandiosa como Game of Thrones, nem tão popular como The Walking Dead. Mas talvez não tenha existido, nesta última década, uma série tão charmosa. Ao narrar as aventuras de Don Draper (Jon Hamm) pelo universo da publicidade ao longo dos anos 1960, acabou mostrando as mudanças comportamentais da época de uma forma linda e dolorosa. Das séries de época exibidas entre 2010 e 2019, Mad Men, que chegou ao fim (premiada) em 2015, com a certeza foi a melhor.

HQs da Marvel na TV

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Demolidor foi a primeira série da parceria entre a Netflix e Marvel, que levou ao streaming parte de seu universo das histórias em quadrinhos, entre elas, Jessica JonesOs Defensores O Justiceiro. O acordo chegou ao fim em 2018 com a notícia de que a Disney teria seu próprio streaming e, com isso, encerraria seu conteúdo de licenciamento das histórias da Marvel para a Netflix.

A sensação "Black Mirror" 

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Black Mirror, uma das sensações da década, surgiu modestamente em 2011 com duas temporadas feitas para o canal britânico Channel 4. A série de ficção científica criada por Charlie Brooker acabou entrando na mira de emissoras norte-americanas, mas quem levou a melhor foi a Netflix. Em 2015, a plataforma anunciou a compra do seriado para seu catálogo junto com a produção de novos episódios, mas seguindo a linha original de Black Mirror: contar histórias isoladas para mostrar os efeitos da tecnologia no ser humano.  

Wagner Moura na Netflix

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Em 2015, a Netflix também apostou em Narcos, uma série para contar a história do narcotráfico na América Latina. A primeira temporada foi destinada à vida do chefão colombiano Pablo Escobar. Wagner Moura foi o escolhido para viver o traficante  e levou, pela primeira vez, o nome do Brasil para uma grande produção do streaming.

Viola Davis faz história no Emmy

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Viola Davis fez história na noite do dia 20 de setembro de 2015 ao se tornar a primeira mulher negra a vencer o Emmy Awards de Melhor Atriz em Série de Drama. Em 67 edições do evento, somente mulheres brancas haviam levado o prêmio na categoria. Protagonista de How to Get Away with Murder, série em que interpreta a professora Annalise Keating, ela usou seu discurso de agradecimento para lembrar outras atrizes negras que já disputaram premiações, mas foram ignoradas. 

2016

O fenômeno "Stranger Things"

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Assim que foi lançada em 15 de julho de 2016, Stranger Things virou um ícone da cultura pop. Por ser ambientada nos anos 1980, a série explora produtos, filmes e vários elementos da década. Tendo como personagens principais as crianças/adolescentes mais fofos do universo, o seriado apostou no universo retrô e sobrenatural para contar a história do misterioso "mundo invertido". 

A realeza nas telinhas

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Com a proposta de contar a história da família real britânica através da figura da Rainha Elizabeth II, The Crown estreou com o status de produção mais cara da Netflix e já com, pelo menos, seis temporadas programadas. Além de fazer uma biografia da rainha, a produção ousou ao anunciar que os atores seriam trocados entre as temporadas, para acompanhar o envelhecimento dos personagens.

A primeira série brasileira da Netflix

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3%, primeira produção brasileira da Netflix, estreou em novembro de 2016 mostrando a história de um grupo de pessoas desesperado para fugir da pobreza. Para isso, eles se candidatam a um criterioso processo de seleção para chegar à ilha de Maralto, onde, acredita-se, esteja a sociedade perfeita. Como o título sugere, só 3% dos candidatos são aprovados – os outros 97% são condenados a viver em condições precárias.

2017

A impactante "The Handmaid's Tale"

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Em 2017, o mundo conheceu o streaming norte-americano Hulu através da sua produção mais importante: The Handmaid's Tale. O primeiro episódio, exibido em 26 de abril, deu um soco no estômago e trancou a garganta dos telespectadores ao mostrar um mundo distópico dominado por um governo totalitário e machista que deixa as mulheres em uma posição de submissão. A série só chegou ao Brasil pelo canal pago Paramount e pelo Globoplay, único streaming brasileiro que possui o seriado em seu catálogo atualmente.

Inovação no humor

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A estreia de The Marvelous Mrs. Maisel em março de 2017 deu um ganho para a produção de comédias para a televisão. O seriado da Amazon Prime Video chegou com a assinatura de Amy Sherman-Palladino (já conhecida pela criação de Gilmore Girls) para contar a história de uma mulher que deseja ser comediante nos anos 50. Pela inovação, diálogos desbocados, humor e ironia ácidos, Mrs. Maisel ganhou o público e a crítica ao conquistar diversos Emmys e Globos de Ouro desde sua estreia.

2018

"La Casa de Papel" passa a ser exclusiva da Netflix

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O seriado espanhol La Casa de Papel foi adicionado ao catálogo da Netflix sem grandes pretensões, mas acabou ganhou milhares de espectadores, memes e uma legião de fãs ao contar a história de um assalto mirabolante. Em 2018, a Netflix decidiu fechar um contrato com o criador da série, Álex Pina e, com isso, passou a produzir e exibir o seriado de forma exclusiva, além de garantir, em seu catálogo, outros seriados espanhóis com a assinatura de Pina. 

2019

O inverno, enfim, chegou

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Oito anos, oito temporadas e 73 episódios. Apesar das críticas nas temporadas finais, Game of Thrones se despediu em 19 de maio de 2019 com o título de maior produção da televisão da década. O seriado passou a ser criticado da sexta temporada em diante, quando passou da linha do tempo da obra literária. A partir daí, a construção da trama despertou a ira dos fãs que alegaram que a série virou "hollywoodiana" demais. 

Representatividade nas premiações

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As premiações da televisão de 2019 foram marcadas pela representatividade. No início do ano, a atriz Sandra Oh fez história no Globo de Ouro ao ser a primeira descendente de asiáticos a ganhar mais de um prêmio no evento (um em 2006, por Grey's Anatomy, e outro em 2019, por Killing Eve). Em setembro, foi a vez de Billy Porter, que se tornou o primeiro homossexual a ganhar um Emmy de Melhor Ator em Série Dramática com Pose.

"Grey's Anatomy" faz história

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O capítulo da 15ª temporada de Grey's Anatomy exibido em 28 de fevereiro de 2019 levou a produção a um patamar histórico: com 332 episódios, o seriado se tornou o drama médico mais longo da história da televisão norte-americana, superando Plantão Médico, lançado em 1994. Grey's Anatomy, protagonizado por Ellen Pompeo, segue firme e forte na televisão, atualmente na 16ª temporada.

O adeus às comédias

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2019 foi o ano do adeus para duas séries de comédia. Com piadas nerds e teorias de física, The Big Bang Theory ficou 12 temporadas no ar, totalizando 279 episódios. Os milhares de fãs em todo o mundo viram a série conquistar, nesse período, 10 prêmios Emmy e um Globo de Ouro. 

A outra despedida foi a de Veep, depois de sete temporadas. Com pura comédia e quase nenhum drama, o seriado conquistou o público ao fazer uma paródia da vida política nos Estados Unidos, tornando-se referência no gênero e consagrando a protagonista Julia Louis-Dreyfus, que faturou, com a série, seis Emmys de forma consecutiva (2012 a 2017) na categoria de Melhor Atriz em Série de Comédia, entrando para a história da premiação.

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O mundo conhece Phoebe Waller-Bridge

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O mundo conheceu, em 2019, o nome de Phoebe Waller-Bridge. A dramaturga e atriz britânica foi a grande vencedora do 71º Emmy Awards, o Oscar da TV norte-americana, levando quatro troféus para casa. O motivo da sua consagração foi a segunda temporada da série Fleabag, que estreou em maio no catálogo da Amazon Prime Video.  Desde 2008, com Tina Fey e a série 30 Rock, uma artista não ganhava, no mesmo Emmy, as categorias de Atriz e Roteiro em comédia.  

Histórias reais dão o tom de minisséries

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Histórias reais serviram como pano de fundo para séries e fizeram sucesso em 2019, garantindo indicações e vitórias em premiações dedicadas à TV, como o Emmy deste ano e o Globo de Ouro de 2020. Olhos Que Condenam, minissérie que retratou o caso de cinco jovens que foram injustamente acusados de um estupro no Central Park, em Nova York, em 1989, foi uma das produções mais vistas na Netflix. Já Chernobyl, um produção de apenas cinco capítulos, se transformou em um dos grandes acontecimentos da televisão em 2019 ao contar, nos mínimos detalhes, a história de um dos maiores desastres nucleares do mundo.

"Sessão de Terapia" no topo 

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Sessão de Terapia, que teve as primeiras temporadas veiculadas no canal pago GNT, estreou seu quarto ano em agosto de forma exclusiva para o Globoplay. Além de Selton Mello no papel do terapeuta protagonista, o novo ano da série foi marcado pela chegada da atriz Morena Baccarin ao elenco. Em menos de um mês, o seriado entrou no ranking das três produções mais assistidas do serviço.

*por GaúchaZH

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