Brasileiros sentem mais falta do cinema e 66% vão retomar planos culturais, diz estudo

09.10.2020 | 12h11 - Atualizada em: 09.10.2020 | 12h18
Por Folhapress
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Shows musicais também foram citados entre as atividades culturais de que os brasileiros mais sentem falta

Enquanto o processo de reabertura do setor cultural já vai se alastrando pelo país, dois terços, ou 66%, dos brasileiros afirmam pretender realizar pelo menos uma atividade cultural presencial nos próximos meses. É o que indica uma pesquisa do Datafolha em parceiria com o Itaú Cultural publicada nesta quinta-feira (8). Esse percentual é maior do que aqueles que dizem terem de fato realizado atividades culturais nos últimos 12 meses (52%).

Com a reabertura, ir ao cinema é a atividade mais visada pelos brasileiros - 44% afirmam ter intenção de frequentar as salas de exibição de filmes. Em seguida, vêm shows musicais - 40% - e atividades infantis - 38%. Completam a lista as bibliotecas - 36% -, os centros culturais - 36% -, o teatro - 30% -, os museus - 29% -, a dança - 29% -, o circo - 29% - e os saraus - 25%. 

Cinema também é a atividade de que os brasileiros mais sentiram falta durante a pandemia - 30% -, seguido por shows musicais - 24% -; enquanto 16% dizem não ter sentido falta de nenhuma atividade cultural.

Entre os entrevistados que sinalizaram pretender realizar atividades culturais nos próximos meses, mais da metade, ou 54%, diz sentir segurança para isso após a reabertura. Homens - 63% - se mostram mais seguros para frequentar as atividades do que mulheres - 47%. As pessoas de menor poder aquisitivo apresentam os níveis mais baixos de confiança - 43% - em meio à reabertura do setor cultural, enquanto a  classe C se mostra a mais segura com o retorno - 61%. Nas classes A e B, 54% se dizem seguros para realizar atividades culturais nos próximos meses.

A partir desses dados, é possível dizer que a pandemia pode causar uma elitização ainda maior da cultura? Para Paulo Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha, esse cenário não deve ocorrer, uma vez que já há um bom tempo que estudos e diagnósticos têm chamado atenção para o acesso à cultura pelos mais pobres. "A pesquisa mostra que há grande interesse desse público. A questão é juntar a fome com a vontade de comer", diz.

A classe D/E, embora tenha participado relativamente pouco em atividades culturais, tem nível de interesse cultural próximo ao das outras classes. "Isso ignifica que há a oportunidade de acolher pessoas que não têm oportunidade de frequentar espaços culturais, mas querem", diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. Nesse sentido, entram no debate a gratuidade, os preços mais baixos e a proximidade dos equipamentos a bairros de classes de menor renda.

O local onde acontecem as atividades é importante para a intenção de frequentar. Enquanto 84% dizem que realizariam atividades culturais em locais abertos, apenas 39% as frequentariam em locais fechados. Entre os entrevistados, 92% dos dizem ter realizado pelo menos uma das atividades culturais, pelo menos uma vez na vida, enquanto 52% as realizou nos últimos 12 meses.

Entre as medidas de segurança que esperam encontrar nos espaços culturais que pretendem visitar, 64% destacam a importância do distanciamento social, evitando aglomerações. A obrigatoriedade do uso de máscara é lembrado espontaneamente por 61%. A faixa etária mais interessada no retorno das atividades culturais é a das pessoas de 25 a 34 anos - 74% deles planejam voltar à programação. Os jovens de 16 a 24 vêm em seguida, com 71% pretendendo voltar frequentar os espaços.

Pessoas sem filhos demonstram mais interesse na retomada cultural - 73% -; enquanto a porcentagem dos que declaram ser pais é de 62%. O interesse em participar de atividades culturais também é maior entre os solteiros - 70% - do que entre os indivíduos casados - 61%. 

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