Pensando Sobre Games: hype

01.04.2021 | 11h12
Por Joana Caldas
Repórter do G1/SC e editora do blog Pensando Sobre Games
The Last Guardian

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A interferência do marketing na sua percepção sobre os jogos

Casando com o meu texto sobre ansiedade, vou falar hoje sobre hype. Que não deixa de ser um tipo meio estranho e positivo de ansiedade. Se é que existe alguma forma de ansiedade positiva (perguntem a um psicólogo).

A hype é aquela sensação de quando você tem novas informações/imagens de tela/vídeos sobre um jogo novo e mal pode esperar para jogar isso. Exceto que você pode e provavelmente vai ter que aguardar porque o game não vai sair em breve. Ou porque você está em um momento da vida em que não vai ter tempo/grana para investir nesse novo título.

Quando mostram um teaser do jogo e ele só vai sair daqui a alguns meses (ou até anos!), a hype continua até ele ser lançado. E ela pode ser sufocante.

Atualmente existe a fabricação de hype em quase todas as indústrias. Ela se transforma em altas expectativas, que podem ser atingidas ou não. O game pode ser adiado de novo ou não ser tão legal. Ou os dois, como ocorreu com o The Last Guardian (sei que teve gente que gostou, mas não é o consenso que teve Shadow of the Colossus). Ou ter um monte de problemas técnicos, como o Cyberpunk 2077.

CD Projekt Red/Divulgação

Para mim, a hype já encheu o saco. Em todas as mídias. Estão empurrando muito tudo. Quando a gente é criança, adolescente, fica na hype, aguardando ansiosamente. Com certeza se você é muito ligado em videogame já caiu numa dessas e se decepcionou. Daí a gente cria uma casca de desconfiança.

Já não confio. Até vejo trailers e acompanho diariamente as notícias, mas não vou achar que todo o jogo que vier vai ser uma maravilha. Até porque pode ser uma maravilha para uns, mas não ser o estilo de que eu goste.

Mesmo no Zelda, que é a série que amo nos videogames, não vejo muita coisa. Procuro não assistir a muitos vídeos, não ler muitas prévias antes de poder jogar o jogo em si. Senão causa uma expectativa que pode estragar a experiência final.

Porém, esses dias fui tomada pela hype, que me deixou bem feliz. Foi uma alegria de criança. E daí julguei que a hype foi positiva. Vi o trailer mostrado na apresentação da Square Enix sobre o Project Athia, que agora se chama Forspoken, game para PS5 e PC. Eu já tinha gostado dele quando foi mostrado em junho pela Sony.

Agora vimos um pouquinho mais, sabemos que a atriz britânica Ella Balinska fez a captura de movimentos e a voz da protagonista e apreciamos mais da jogabilidade rápida.

Ficar pensando no jogo nas horas vagas por alguns dias depois trouxe um sorriso para o meu rosto. Este game me dá a sensação de ser o que eu estou querendo jogar há anos: uma protagonista legal, que se move rápido, com combate divertido e muita, muita exploração. Mas isso é minha cabeça projetando o que eu quero. Não sei se a obra final será assim. E é esse o perigo da expectativa: criar um jogo na imaginação e achar que é isso que será lançado.

Pensei tudo isso, mas o hype não foi embora. E fiquei feliz de ter essa sensação infantil de novo, de ficar esperando muito um game sem as formas ruins da ansiedade, só a felicidade de se preocupar apenas no quanto vou me divertir com ele.

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