Pensando Sobre Games: jogos grátis

29.04.2021 | 11h24
Por Joana Caldas
Repórter do G1/SC e editora do blog Pensando Sobre Games
Pokémon Go

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Títulos fáceis de começar, mas que logo mostram que querem seu dinheiro

Quando vi que a Microsoft resolveu tirar a obrigatoriedade de ser assinante da Gold para jogar games grátis online, veio a minha mente toda a experiência que tive com esses títulos. E é uma mistura de emoções... porém, mais para o lado negativo.

Joana Caldas

Vou contar primeiro a divertida historinha que me levou a testar jogos grátis pela primeira vez, já pincelada no texto sobre Pokémon Legends Arceus. O primeiro game gratuito que me interessou realmente foi o Pokémon Go. Mas, na época, meu celular era velhinho e não conseguia rodá-lo. Eu me dei duas opções: comprar um aparelho novo ou um Nintendo 2DS, para rejogar o Pokémon Azul original do Gameboy.

O celular e o portátil 2DS eram o mesmo preço e o videogame levou a melhor. O Pokémon Azul custava acho que U$ 10 (não lembro se tinha loja brasileira da Nintendo na época). O pulo do gato foi quando fui na parte de Pokémon na eshop e encontrei vários títulos que custavam nada. E fui baixando. E gostei de alguns.

Os que baixei foram Pokémon Rumble World, Pokémon Shuffle e Pokémon Picross. Gostei dos dois primeiros. Aliás, Pokémon Rumble World virou um favorito. Com ele, pude conhecer vários monstrinhos que nunca tinha visto, já que parei de jogar a série no Azul ainda.

É divertido o Rumble World: você escolhe um pokémon de brinquedo e sai batendo nos demais num estilo que lembra os games de briga de rua, mas com uma visão aérea. E o mais legal para os fãs veteranos é que ele leva em consideração os tipos dos monstrinhos, assim como no jogo principal. Um pokémon de água é bom contra o de fogo, e por aí vai.

The Official Pokémon YouTube Channel

Eu gostei tanto deste game que cheguei a imprimir uma tabela de qual tipo de monstro é bom contra qual tipo e trazia comigo onde quer que eu levasse o 2DS. Contudo, amigo leitor, os jogos grátis sempre têm um porém.

No Rumble World, o “porém” é que você só pode entrar em cada fase uma vez a cada 30 minutos. Você leva cerca de quatro minutos para terminar um level. E daí tem que ficar esperando. Se você não quiser aguardar, precisa pagar um diamante pokémon. Você raramente ganha este item jogando e é claro que ele é vendido na loja do jogo em troca de dinheiro de verdade.

Dessa forma, o seu progresso nesse game é lento. Beeeeem lento. Eu achei tão ruim isso que, após descobrir que foi lançada uma versão em cartucho (que todo dia te dá 40 diamantes para gastar), comprei. Preferi pagar. E quer saber? O meu progresso de meses na versão grátis recuperei em menos de duas semanas no cartucho.

E é isso o que um acho dos jogos grátis, resumidamente. Prefiro pagar para ter uma experiência completa. A maioria desses games gratuitos faz exatamente isso: de alguma forma empaca o seu progresso e lhe oferece um jeito de pular isso pagando com dinheiro de verdade.

Se é para ser assim, prefiro comprar o jogo logo de cara e não ter nada disso (se bem que já temos vários games pagos com mecânicas de progresso lento, mas isso fica para outro texto). Pokémon Rumble World foi divertido sim, mas se tornou chato à medida que notava a artificialidade com que o game foi feito para fazer você gastar dinheiro. Sinceramente, acho que não vale a pena. Existem ainda outras mecânicas que os desenvolvedores de outros jogos grátis bolaram para o gamer abrir a carteira. Mas fica para uma próxima. Eu sigo aqui tentando comprar jogos dos estúdios que cobram um preço plausível pelo trabalho deles.

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